Estudo realizado por 25 países mostra que o esporte está à mercê da prática
Um dos indicativos de que a modalidade mais popular do mundo está vulnerável, cifras irracionais ajudam a encobrir crime financeiro
ANDRÉA MICHAEL DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Documento do Gafi, organismo internacional de combate à lavagem de dinheiro, obtido pela Folha aponta que o status dado pelo futebol, a inexistência de parâmetros para valores de negociação dos jogadores e a imagem criada de que o esporte salva craques e suas famílias da carência social são pontos que favorecem o uso da modalidade como instrumento para a lavagem de dinheiro. Entre as práticas mais comuns, encabeça a lista o investimento de dinheiro sem origem definida em um time com dificuldades financeiras, exatamente como aconteceu na parceria MSI/Corinthians, atualmente na Justiça. Há o alerta de que a origem do dinheiro pode ser de tráfico de drogas, de armas ou simplesmente destinado a, depois de "esquentado", corromper pessoas que têm destaque político no país -as chamadas PEPs, Pessoas Politicamente Expostas. A análise da propensão do setor para se prestar à lavagem teve seu documento final aprovado na última quinta, na reunião ordinária do Gafi em Lyon (França). A entidade é presidida pelo brasileiro Gustavo Rodrigues, que também comanda a unidade de inteligência financeira do Brasil, o Coaf. Não existe uma contabilidade sobre quanto o futebol lava por ano. Mas o documento do Gafi aponta que o seu mercado mundial movimenta 13,8 bilhões anuais, dos quais somente 4,2 bilhões se destinam a salários. Tudo o mais, em tese, pode ser alvo de desvios, pois é dinheiro transacionado a título de regalias para o atleta, indenizações a clubes, pedágio para governos, entre outros itens. O estudo do uso do esporte como instrumento de lavagem começou em 2008 e teve a participação de 25 países, entre europeus, sul-americanos e asiáticos, além da Austrália. Razões para o futebol ter sido o foco do trabalho: é o esporte mais popular do mundo, tem 5.000 federações associadas oficialmente, aglomerou um bilhão de espectadores na última Copa e existem 38 milhões de jogadores oficialmente cadastrados. "O estudo é mundial, mas, se você olhar, as tipologias apresentadas refletem muito bem a situação do Brasil", diz Rodrigues. Colhidas as respostas dos questionários distribuídos, as principais razões apontadas para a vulnerabilidade do setor à lavagem de dinheiro são: 1) Mercado de fácil penetração, porque qualquer um pode se tornar um agente; 2) Diversidade de regulamentação entre os países, o que permite ao interessado escolher o que melhor lhe oferece condições para oficializar os ganhos de uma negociação; 3) Irracionalidade das somas envolvidas, que não obedecem a qualquer critério, o que viabiliza conduzir negociações totalmente fora de valores plausíveis e, ainda assim, não dispor de padrões legais para questioná-las eventualmente; 4) O papel social do futebol, já que, em regra, promover a ascensão social de um craque e de sua família traz benefícios e é orgulho para a comunidade. "O apelo social é muito importante, mas as autoridades devem estar atentas para que isso não mascare um crime grave, como a lavagem de dinheiro", afirma Bernardo Mota, do Coaf, que há dez anos acompanha essa discussão. Complexo, o documento descreve, sem dar nomes, 17 casos por meio dos quais a prática da lavagem pode se materializar. Começa pelo investimento em atletas de um país de fundos estrangeiros instalados em paraísos fiscais. Outra tipologia bastante explorada é a figura do atravessador, comum no Brasil. O fato de as cifras envolvidas não terem parâmetro e o negócio poder ser fechado em qualquer lugar do mundo facilitam a lavagem. Na página 20, de um total de 39, o documento é categórico em afirmar: "Estimar o valor de uma transação para um jogador é um trabalho inócuo, pelo fato de que largas somas estão envolvidas, geralmente acompanhadas de uma transação para o exterior, o que torna difícil aferir a destinação final dos recursos. A supervalorização do jogador pode corresponder à técnica de lavagem de dinheiro similar, no caso do comércio, ao oferecimento desmedido de benefícios." Também há destaque para times endividados que assumem a figura de atravessador e colocam a sua taxa de sucesso a ser ganha no negócio como pagamento de dívidas. O dinheiro que entra para tirar a agremiação do vermelho é de uma terceira negociação, que só precisava de uma oportunidade para esquentar quantias obtidas de forma ilícita e que circulavam na rede internacional.
Para entidade, Maracanã, que não terá jogos durante obras, é um bom exemplo Possibilidade de São Paulo não ser sede do Mundial está descartada, diz representante da Fifa, mas alternativas de arenas podem ser estudadas
EDUARDO ARRUDA PAULO COBOS ENVIADOS ESPECIAIS A JOHANNESBURGO
O secretário-geral da Fifa e responsável pelas críticas ao Morumbi, Jérôme Valcke, vê um caminho para que o estádio consiga cumprir as exigências da entidade e se transformar na sede paulista para a Copa-2014. À Folha, ontem, em Johannesburgo, o dirigente afirmou que uma boa saída para o estádio são-paulino é seguir o exemplo do Maracanã, que será o palco da final do torneio. "Acho que é possível que o Morumbi vire um estádio para a Copa. Veja o Maracanã, por exemplo: ele deve ser fechado por dois anos para se adaptar e se tornar um estádio Fifa. Talvez eles possam fazer o mesmo", declarou Valcke. O projeto inicial do Morumbi não prevê o fechamento total do estádio durante as obras. Valcke apontou que o principal problema do Morumbi está no entorno. A Fifa exige que haja um centro de mídia e área para o estacionamento de caminhões geradores de imagens das emissoras de TV, além de ampla área para estacionamento de jornalistas e convidados. Na África, todos os estádios usados na Copa das Confederações cumpriram rigorosamente essa determinação. No Ellis Park, por exemplo, palco da final do torneio, amanhã, entre Brasil e Estados Unidos, foi usada a área de uma universidade que fica ao lado da arena, localizada em Johannesburgo. O projeto inicial do Morumbi, segundo a Fifa, previa a construção dessa área a 1 km do estádio, distância considerada inviável pela entidade. Os são-paulinos rechaçam a informação e dizem que o local ficará bem mais próximo, a 300 m. "Nós avisamos os responsáveis desse problema. Agora eles têm de se empenhar para resolver isso, senão teremos que buscar alternativas", disse Valcke, que descartou, no entanto, uma possível exclusão da cidade de São Paulo entre as 12 sedes brasileiras escolhidas. Valcke confirmou que os outros 11 projetos não têm problemas para atender às exigências da entidade máxima do futebol. A Fifa, porém, acredita que o principal desafio do Brasil está justamente na construção e adaptação de suas arenas. Durante a semana, o presidente Lula foi ao Morumbi e manifestou apoio ao estádio são-paulino. Cartolas ligados à CBF creem que a única ajuda do governo para salvar o Morumbi seria financeira -o governo, entretanto, diz que não irá empregar verbas em arenas. A reforma do estádio está orçada em R$ 300 milhões, e a avaliação até de membros do comitê paulista para o Mundial-14 é que o São Paulo terá problemas para conseguir esse dinheiro. A manifestação favorável de Lula também não tem peso decisivo, pois Fifa e Comitê Organizador Local têm autonomia total para tomar decisões em relação aos estádios. Já o governo tem poder, de fato, só nas obras de infraestrutura relacionadas ao Mundial.
“Hoje, não tem cabimento a abertura não ser no Morumbi. São Paulo não tem estádio mais pronto do que esse atualmente. O primeiro jogo tem de ser na capital, porque é onde está a nata do futebol” - comentou Andres Sanches.
Não gostaria de ficar falando muito sobre a crise pela qual passa o Tricolor Paulista. Isso não é coisa nossa e eles que se arrumem! Entretanto foram muitos os blogueiros que me alertaram para as versões que a mídia está propagando sobre o "momento" (não digam crise, senhores!), que preciso fazer algumas observações. Dizem certos jornalista que não há crise alguma. Outros, que existe um probleminha aqui, outro lá. Alguns ainda falam que, ao se concentrar no projeto do Morumbi-2014, o Clube "abandonou" as disputas e os campeonatos. Bom, sejamos diretos: tudo ia bem até os 47 minutos do segundo tempo, naquele jogo Corinthians x São Paulo no Pacaembu, quando Cristian, de fora da área, acertou aquele gol desestabilizador. A partir daí, a coisa desandou. A reação do São Paulo durante a semana confirmou o total desequilíbrio de seus diretores, jogadores, técnicos e outros mais. Foi aquele gol sim, muitos não acreditam, mas foi aquele petardo que balançou a rede tricolor no Pacaembu, que detonou toda a confusão no nosso adversário. Demitiram o técnico, vazaram para a imprensa a briga entre os jogadores e, pasmem os deuses, a mídia noticiou que estavam sem grana e até com atrasos salariais. Acreditem amigos e inimigos foi aquele gol de Cristian que, como um "exocet" no casco do navio, abriu uma brecha que não sabemos ainda quando será fechada. Como disse no início, a solução que possam encontrar e o tempo que demorarão não é problema nosso, mas, cá para nós, que estrago duradouro fez um gol aos 47 do segundo tempo!
Em meio a uma das maiores crises econômicas que o mundo vive nestes últimos cem anos, dias atrás o esporte recebeu a bombástica notícia das contratações de Kaká e Cristiano Ronaldo pelo Real Madrid. A notícia surpreende não somente pelos valores envolvidos (€ 65 mi e € 94 mi), mas porque o clube espanhol se encontra imerso em enorme dívida, cerca de R$ 1,3 bi, como informou Jamil Chade, no Estado, na semana passada. A reportagem traz informação mais surpreendente ainda: a de que a contratação dos superastros somente foi possível graças à linha de crédito de dois bancos espanhóis, Caja de Madrid e Grupo Santander, que, em troca do vultoso empréstimo, obtiveram como garantia a renda que virá dos direitos de transmissão dos jogos do time pela tevê.
Sob todos os pontos de vista a negociação traz interrogações: o fato de que a crise econômica que se abate sobre o mundo não ter sido superada e, pelo contrário, alguns afirmam que não chegamos ao fundo do poço; os bancos, em todos os países, inclusive os espanhóis, foram socorridos por muito dinheiro dos governos e, portando, deveriam evitar operações de retorno duvidoso.
De há muito, clubes de futebol, especialmente os espanhóis, não trabalham com a ideia de que suas receitas devem suportar suas despesas. Fosse essa a meta, esses negócios não teriam ocorrido. A lógica é de que se façam aventuras, porque o governo os socorrerá depois. Só isso permite tal tipo de contratação.
Como em passado próximo, o Real Madrid foi socorrido pelo governo local, por meio de generosa compra de imóvel.
Já é tempo de o futebol superar essa “exuberância irracional”, de que falava Alan Greenspan, ao criticar a exagerada especulação no mercado de ações norte-americano.
Ou os clubes sobrevivem com orçamentos equilibrados, ou teremos de instituir o modelo espanhol de subsídios para essas contratações economicamente insustentáveis.
O exemplo apresentado pelo Real Madrid é péssimo indicativo a todo o futebol. Ele não deve servir de parâmetro nem para os clubes brasileiros nem para o governo. As agremiações devem buscar equilíbrio em suas contas e nãotrabalharcom a expectativa de terem sempre um grande déficit a ser coberto por ações oficiais.
Antonio Roque Citadini é conselheiro do SC Corinthians Paulista
(O Estado de S.Paulo, Esportes, "Da numerada", 21/06/2009, p.6)
Corinthians e São Paulo faziam um clássico frio no Pacaembu longe de sua lotação completa (apenas 16 mil torcedores) porque, de fato, este é um jogo que assusta o torcedor sensato. O São Paulo era melhor, tinha as ações do jogo, chutara três vezes de fora da área, mas não assustava. Marlos deixou a perna para tentar um pênalti, mas o árbitro não foi na dele. E o Corinthians cochilava, sentindo os efeitos da intensidade do jogo contra o Inter. Até que Cristian resolveu também ele arriscar de longe e deu o arremate mais perigoso do jogo. Animou-se. E ao receber de Diogo na intermediária corintiana, achou Douglas que devolveu com rara habilidade para ele invadir a área e, de novo, fazer gol no tricolor. Fez e saiu, porque sentiu uma dor na coxa, assim como Marcelo Oliveira sentiu também e teve de sair, já aos 8 minutos, para entrada de Diego. Preocupações para a Copa do Brasil. No lugar de Cristian quem entrou foi Jucilei. E o jogo esquentou, porque Junior César pegou Douglas deslealmente e porque Hugo foi separar uma discussão entre Jorge Henrique e Richarlyson e acabou empurrando o rosto do corintiano. O árbitro, banana, deu só cartões amarelos. O segundo tempo foi outra coisa. O Corinthians tomou o comando logo de cara e foi criando chances até que Chicão, de falta, aos 12, ampliou: 2 a 0. E a pequena torcida são-paulina cantava o nome sabe de quem? De Muricy Ramalho. Que não estava lá para ver o terceiro gol alvinegro de Jucilei, de cabeça, em cobrança de escanteio por Jorge Henrique. Bem que Richarlyson advertiu que perder do Corinthians seria "vergonhoso". Menos pela derrota, normal num clássico e previsível diante das circunstâncias antes do jogo. E ele foi atrás de diminuir o prejuízo, ao fazer belo gol depois de receber, de calcanhar, uma bola do menino Oscar. Mas teve até olé. E André Dias deu um soco em Jorge Henrique, aos 43. Coisa de quem não sabe nem está acostumado a perder. Talvez seja o caso de começar a se acostumar. E agradecer pelo pênalti não marcado de Renato Silva em Elias, já nos acréscimos.
Timão derrota São Paulo e sobe para quinto lugar no Brasileirão
Embalado pela vitória na primeira partida decisiva da Copa do Brasil, o Timão recebeu o São Paulo no Pacaembu e deu show. Com direito a ‘olé’ da torcida, o Corinthians bateu os rivais por 3 a 1, foi a 11 pontos e subiu à quinta posição na tabela do Brasileirão. Está agora há um pontos do G4. O jogo começou com muita marcação e pouca criação. Os dois times mostravam pouca objetividade e as chances de gol apenas surgiam de chutes de longa distância. Logo aos 8min, o Timão perdeu Marcelo Oliveira. O lateral sentiu uma fisgada na coxa esquerda e foi substituído por Diego. Até a primeira metade, o São Paulo era melhor, mas não conseguia concretizar. O tempo foi passando e nenhum dos goleiros era ameaçado. Felipe já havia trabalhado em duas finalizações, mas nada que preocupasse muito o camisa 1. A primeira chegada alvinegra, entretanto, parou nas redes. Na única chance clara corinthiana da etapa, Cristian não perdoou. Ele recebeu de Douglas, avançou sobre todo o campo são-paulino se livrando dos marcadores e tocou na saída de Dênis, abrindo o marcado. Após o gol, o volante também sentiu a coxa e deixou o gramado. A parte criativa da primeira etapa parou por aí. Uma discussão entre Richarlyson e Jorge Henrique causou um empurra-empurra entre os atletas das duas equipes, que o árbitro conteve com cartões amarelos para o corinthiano e para o são-paulino Hugo. E o Timão foi para o intervalo com vantagem de um gol. O segundo tempo começou com ambos times buscando mais o ataque. Logo nos primeiros minutos, Felipe e Denis já haviam trabalhado bastante para evitar os gols. Em sua primeira oportunidade, Ronaldo passou por André Dias e chutou para defesa do rival. Já aos 12min, o Timão ampliou. Chicão cobrou falta perfeita no ângulo esquerdo do goleiro tricolor e fez 2 a 0. O gol desestabilizou os rivais. O Timão passou a administrar o resultado enquanto os são-paulinos aparentavam estar perdidos em campo. E não demorou para sair o terceiro. Em cobrança de escanteio, Jucilei cabeceou para vencer o goleiro Denis: 3 a 0 e festa da Fiel, que já gritava ‘olé’, no Pacaembu. Com a vantagem, os corinthianos tiraram o pé e passaram a tocar a bola. O São Paulo tentava ir ao ataque, mas de forma desordenada. O time não conseguia criar e chutava de longe, sem levar perigo a Felipe. Aos 35, entretanto, o gol de honra. Richarlyson recebeu de Oscar e fuzilou: 3 a 1. O lance não abalou os alvinegros, que continuaram administrando o resultado. Recuados, passaram a esperar o São Paulo em seu campo de defesa para utilizar o contra-ataque. Apenas esperando o tempo acabar, a torcida fazia sua festa. A vitória eleva o Timão no Brasileiro. Com o resultado, sobe à quinta posição com 11 pontos – o Atlético-MG lidera com 17. Tem agora uma semana para trabalhar e se preparar para mais dois confrontos decisivos. No próximo final de semana, visita pega o Atlético-PR fora de casa pela oitava rodada do Nacional. E na quarta seguinte, encara o Inter pela decisão da Copa do Brasil.