Nem só isoladamente os craques fazem história no futebol. Junto com um companheiro, em dupla, ou com dois, em trio, às vezes ganham mais destaque. Pelé é a exceção mas seu parceiro no ataque e artilharia do Santos, Coutinho, independente de seus méritos, raramente é lembrado como o Centro-Avante, o Goleador.
Aparece mesmo é como membro da dupla infernal Pelé-Coutinho. O Corinthians também consagrou duplas e trios. Sócrates-Casagrande, ao contrário de Pelé e Coutinho, brilharam juntos e também depois de separados. O alvinegro foi para eles uma grande vitrine e portão de embarque para a Seleção. Não é caso dos craques de dois grandes trios corintianos, Tuffy, Grané e Del Debbio e de Jango, Brandão e Dino.
Tuffy Neugen era um goleiro excepcional. Santista, jogou no Sírio e no Santos e ao chegar ao Corinthians, em 1928, com sua coragem e habilidade na defesa de pênaltis contribuiu para a conquista do campeonato, o primeiro do tri 28-29-30. Para os atacantes adversários fazia jus ao apelido de 'Satanás', vestido todo de preto e jogando no inferno suas pretensões de vitória.
Grané, 'beque' direito, bom na marcação e um perigo na cobrança de faltas, foi apelidado '420', como era chamado o canhão alemão de maior calibre na época, foi outro trunfo corintiano na conquista do tri.
Completava o trio Del Debbio, lateral-esquerdo, duas vezes tricampeão, a primeira em 22-23-24. Foi campeão em 37 e 39, quando já veterano, em uma emergência, além de técnico teve que entrar em campo.
Nos trios famosos criados pelos torcedores nem sempre têm explicações nascidas de posições em campo ou de formas de atuação. São frutos da relação apaixonada do torcedor com o time e os jogadores. João Freire Filho, o Jango, médio-direito, veio do Coritiba, e, no Corinthians foi um craque discreto e com atuações de regularidade.
O centromédio José Augusto Brandão, nascido em Taubaté, em 1910, transferiu-se da Portuguesa para a Fazendinha em 1935. Clássico e abnegado, foi um dos primeiros corintianos a defender a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo (França, 1938). Jango e Brandão atuaram nas conquistas alvinegras do tri-campeonato em 37-38-39 e do campeonato de 1941.
Osvaldo Rodolpho da Silva, o Dino, era médio-esquerdo e veio da Portuguesa Santista e, no Corinthians, marcou época pelo estilo vistoso de jogar. Sua elegância em campo, valeu-lhe o apelido de Dino 'Pavão'. Assim os velhos corinthianos festejam sempre Tuffy, Grané e Del Débbio, bem como Jango, Brandão e Dino.
No dia de hoje ultrapassamos o número de 150.000 visitas a este corinthiano blog. A enorme agitação esportiva,os problemas do clube aparecendo por todo lado e o reduzido tempo deste blogueiro quase deixa passar esta importante vitória de todos os que aqui discutem.Não sendo um blog comercial e alimentado apenas pela paixão ao Corinthians este número ,em tão puoco tempo,é uma marca para comemorar. Agradeço aos que aqui participam de discussões e ,por vezes, quase brigas. Um conrinthiano abraço à todos.
Gol do Juca Milton Neves é condenado a indenizar Juca Kfouri
por Priscyla Costa
O apresentador Milton Neves foi condenado a indenizar o jornalista Juca Kfouri por danos morais. Motivo: a publicação de um artigo no blog de Milton Neves com o título “E agora, José?”. O artigo afirmou que Kfouri não pagava pensão alimentícia e teria cobrado por uma entrevista de Pelé à revista Playboy. A condenação ao apresentador foi imposta pelo juiz Carlos Eduardo Borges Fantacini, da 26ª Vara Cível de São Paulo.
Por considerar “a elevada capacidade financeira” de Milton Neves, “como ele próprio apregoa”, segundo o juiz, a indenização foi fixada em R$ 48 mil. À revista Consultor Jurídico, a defesa de Milton Neves, representada por Antônio Carlos Sandoval Catta-Preta, disse que vai recorrer da decisão. O apresentador afirmou que este ainda é o primeiro tempo do jogo. “Temos, pelo menos, 10 anos de discussão pela frente”, afirmou.
De acordo com o processo, o artigo foi assinado por um leitor do blog de Milton Neves. O autor do texto dizia: “o cara escreve em revista de mulher pelada, só faz entrevista de oba-oba, é, então, naturalmente mandado embora, como de todos os outros empregos anteriores, e quer ser levado a sério??!!”. Também afirmava que Kfouri respondia “trocentas” ações na Justiça Cível e Criminal.
A defesa de Milton Neves alegou que a ação deveria ser movida contra Edgar Soares, autor do texto, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. O juiz Carlos Eduardo afirmou o contrário. “O ofendido pode mover ação contra qualquer um dos responsáveis pela ofensa”, considerou.
De acordo com o juiz, ao manter o artigo “E agora, José?” no ar, ficou “evidente a intenção” de Milton Neves “em denegrir publicamente a imagem do autor”. Além disso, para o juiz, todas as afirmações fugiram do interesse jornalístico.
“Aquele que, no exercício da liberdade de manifestação de pensamento e de informação, com dolo ou culpa, viola direito, ou causa prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano moral, inclusive no caso de calúnia, difamação e injúria. Com efeito, o réu fez publicar em sua página na Internet textos com críticas ao autor. Pouco importa que o réu não seja o autor do primeiro artigo, pois é responsável por sua divulgação”, considerou o juiz.
“A crítica e o debate, ainda que acalorados, saudáveis e necessários ao intelecto humano, têm seus limites éticos e morais, devem se pautar pelo bom-senso, pela proporcionalidade, não sendo razoável que se dê forma agressiva, grosseira, ofensiva e, no caso, principalmente, reiterada. O fato do autor se expor publicamente, como jornalista, e mesmo o fato de fazer críticas contundentes ao réu, não lhe retira o direito ao mínimo de respeito e dignidade”, concluiu.
Leia a decisão
26ª Vara Cível Central da Capital Controle nº 538/2007 Vistos. JOSÉ CARLOS AMARAL KFOURI move AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, pelo rito ORDINÁRIO, contra MILTON NEVES, alegando ser reconhecido jornalista esportivo, notório por seu compromisso com a ética, com inúmeros trabalhos de ampla repercussão na mídia, alguns dos quais premiados; vem fazendo fundamentadas críticas ao réu que, sentindo-se ofendido, fez publicar em seu site pessoal dois artigos ofensivos à honra do autor, inclusive porque acusado de conduta antiética em serviços prestados à empresa Pelé Sports, porque teria cobrado por uma entrevista de Pelé à Revista Playboy, e de não pagar pensão alimentícia para seu filho, questão já desmentida em outro processo.
Em contestação (fls. 78/121), o réu sustenta, em suma: inépcia da inicial; ilegitimidade passiva, pois quem escreveu mencionado artigo foi Edgard Soares; litisconsórcio passivo necessário, nos termos da súmula 221 do STJ; o autor é voraz exterminador de honras e afronta até a Justiça; o autor fez do réu seu inimigo, por inveja de seu sucesso; vem produzindo, assim, uma sucessão de ofensas contra o réu, com quem diz travar um duelo ético; as matérias publicadas na página do réu, de autoria de terceiros, não são de sua responsabilidade, e não são objeto de censura prévia; não há menção ao nome do autor; o réu não tem vínculo trabalhista qualquer com o autor do artigo, Edgar Soares; trata-se de exercício da liberdade de manifestação do pensamento; quanto à carta na revista Veja trata-se de mera “troca de chumbo”, vez que o autor tem tentado desmoralizar o réu porque este faz propaganda em seu programa; são fatos públicos e notórios que o autor intermediava negócios como editor da Revista Playboy, recebendo vultosas quantias através de pessoa jurídica de sua propriedade, de tudo emitindo notas fiscais; o réu foi por diversas vezes ofendido pelo autor, mas não se queixou dor moral; trata-se de mera retorsão; o valor pleiteado é exagerado. Réplica a fls. 354/363. Juntado documento novo a fls. 391/3, o réu se manifestou a fls. 395/7 e 399/412.
É o relatório.
D E C I D O.
Em primeiro lugar, observo que a contestação é tempestiva, ratificado o teor da certidão de fls. 323, na medida em que o prazo não se inicia quando há encerramento mais cedo do expediente forense. Afasto as preliminares. A petição inicial descreve adequadamente os fatos, e de sua narrativa deflui conclusão lógica, tendo permitido a ampla defesa, o contraditório e a formação do convencimento, não se vislumbrando inépcia. Evidente a legitimidade passiva do réu, vez que ele fez publicar em sua página na Internet os textos tachados de ofensivos. A alegada solidariedade passiva prevista na súmula 221 do Superior Tribunal de Justiça não implica em litisconsórcio passivo necessário, cabendo ao autor ofendido mover a ação contra qualquer um dos responsáveis pela ofensa.
O mais se enquadra no mérito. Comprovados e incontroversos os atos inquinados de ilícitos, o feito comporta julgamento antecipado, nos termos do art. 330, I, do CPC, pois a questão controvertida nos autos é meramente de direito, desnecessária dilação probatória. Aquele que, no exercício da liberdade de manifestação de pensamento e de informação, com dolo ou culpa, viola direito, ou causa prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano moral, inclusive no caso de calúnia, difamação e injúria. Com efeito, o réu fez publicar em sua página na Internet textos com críticas ao autor. Pouco importa que o réu não seja o autor do primeiro artigo, pois é responsável por sua divulgação.
Portanto, a solução da controvérsia repousa na análise dos fatos em si – os comentários e as situações em que se deram as abordagens sobre o autor – em cotejo com duas situações abstratas positivadas, inclusive na Carta Magna. De um lado, tem-se o direito à inviolabilidade da honra e da imagem das pessoas, de cuja violação decorre o direito à indenização pelo dano material ou moral experimentado (art. 5º, X, CF). Por outro lado, temos o direito da liberdade de manifestação (arts. 5º, IX, e 220, CF). Da contraposição dos direitos positivos em aparente conflito, decorre que a apuração da efetiva existência de responsabilidade civil do réu há que se fundar na teoria do abuso do direito, e pressupõe sempre a existência de culpa ou dolo. Com efeito, o exercício regular de direito constitui, não raro, escusativa da responsabilidade civil (art. 188, I, do Código Civil), calcado na parêmia “quem usa de um direito seu não causa dano a ninguém”.
Neste ponto, vale transcrever lição de Caio Mário da Silva Pereira: “o indivíduo, no exercício de seu direito, deve conter-se no âmbito da razoabilidade. Se o excede e, embora o exercendo, causa um mal desnecessário ou injusto, equipara seu comportamento ao ilícito e, ao invés de excludente de responsabilidade, incide no dever ressarcitório” (Responsabilidade Civil, 6ª ed., p. 296). Na mesma obra, o renomado mestre adverte que a regularidade do exercício do direito deve ser apreciada pelo juiz com seu arbitrium boni viri – o arbítrio do homem leal e honesto.
Só assim equilibra-se o subjetivismo contido na escusativa do agente que, não obstante causar um dano, exime-se de repará-lo. E para se atingir o equilíbrio entre os direitos fundamentais contrapostos, deve o julgador se valer da lógica do razoável, preconizada pelo mestre espanhol Recasens Siches, invocado por Alípio Silveira: “A técnica hermenêutica do razoável, ou do logos do humano, é a que realmente se ajusta à natureza da interpretação e da adaptação da norma ao caso. A dimensão da vida humana, dentro da qual se contém o Direito, assim o reclama. O fetichismo da norma abstrata aniquila a realidade da vida.
A lógica tradicional de tipo matemático ou silogístico não serve ao jurista, nem para compreender e interpretar de modo justo os dispositivos legais, nem para adaptá-los às circunstâncias dos casos concretos. O juiz realiza, na grande maioria dos casos, um trabalho de adaptação da lei ao caso concreto, segundo critérios valorativos alheios aos moldes silogísticos. E mais: ora, ao se orientar por juízos de valor em que se inspira a ordem jurídica em vigor, deverá o intérprete atender às exigências do bem comum, já que a lei é ordenação da razão, editada pela autoridade competente, em vista do bem comum. E como o bem comum se compõe de dois elementos primaciais – a idéia de justiça e a utilidade comum – são esses os elementos, de caráter essencialmente valorativo, os princípios orientadores” (Hermenêutica no Direito Brasileiro, RT, 1968, vol. I/86).
É preciso ressaltar, neste ponto, que a liberdade de manifestação do pensamento é garantia constitucional do estado democrático de direito, e como tal garantia da sociedade livre, e assim, dentro do limite do razoável, se sobrepõe ao interesse individual do direito à honra e à imagem. A liberdade de manifestação é indispensável no Estado Democrático de Direito! Os excessos ou desvios é que são socialmente danosos. E, ressalvadas as inequívocas ofensas, bem delineadas (aquelas, porventura indiretas ou ambíguas, devem ser, previamente esclarecidas e não, simplesmente, presumidas), ninguém está isento ou imune a qualquer narrativa crítica, em especial no contexto jornalístico. “Aliás, preleciona Dennis Lloyd, mestre da Universidade de Londres, que: ‘A relação entre lei e liberdade é, obviamente, muito estreita, uma vez que a lei pode ser usada como instrumento de tirania, como ocorreu com freqüência em muitas épocas e sociedades, ou ser empregada como meio de pôr em vigor aquelas liberdades básicas que, numa sociedade democrática, são consideradas parte essencial de uma vida adequada (A idéia da lei – Martins Fontes).
E, mais adiante: ‘Em qualquer comunidade onde predominam os valores democráticos e igualitários, é óbvio que o direito à liberdade de expressão e o direito à liberdade de imprensa devem ser qualificados como valores fundamentais, pois sem eles a possibilidade de desenvolvimento de cristalização de opinião pública, permitindo que ela exerça influência sobre os órgãos governamentais do Estado, estaria condenada a ser virtualmente ineficaz” (op. cit., p. 127 – 128; apud, de forma resumida, RT 757/502 – Superior Tribunal de Justiça – Ministro Félix Fischer). Não se pode esquecer que ninguém está mais sujeito à crítica e à “invasão de privacidade” do que as chamadas pessoas públicas, como é o caso do autor, cuja profissão – jornalista esportivo com larga atuação nos meios de comunicação - por natureza as expõe à curiosidade popular, e como regra a exposição na mídia lhes interessa, sujeitos, assim, a ter a proteção de sua intimidade e privacidade mitigadas, mormente quando suscitam debate e polêmica, o que vem ocorrendo há algum tempo entre as partes.
Certo, portanto, que o direito à honra e à imagem do autor não se mostra de caráter absoluto, cedendo espaço ao interesse público maior da liberdade de imprensa, desde que não configurado o abuso, como se deu no caso dos autos. O poder terrível dos órgãos de comunicação – atingindo todos os lares, propagando alusões que se diluiriam se feitas em círculos menores, mais restritos – reclama contenção maior de seus profissionais, hoje chamados a um procedimento essencialmente ético, que clama pelo respeito à dignidade da pessoa humana, cânone constitucional (art. 1º, III, CF), vedado o tratamento degradante (art. 5º, III).
A crítica e o debate, ainda que acalorados, saudáveis e necessários ao intelecto humano, têm seus limites éticos e morais, devem se pautar pelo bom-senso, pela proporcionalidade, não sendo razoável que se dê forma agressiva, grosseira, ofensiva e, no caso, principalmente, reiterada, o que não deixa qualquer dúvida do ânimo do réu em constranger o autor, de forma constante e deliberada, configurando, sim, a perseguição, no sentido de importunar reiteradamente, ir ao encalço, vexar com violência (ainda que verbal), atormentar. O fato do autor se expor publicamente, como jornalista, e mesmo o fato de fazer críticas contundentes ao réu, não lhe retira o direito ao mínimo de respeito e dignidade.
Ao manter no ar o artigo “E agora, José?”, de autoria de Edgard Soares (fls. 19/20), evidente a intenção do réu em denegrir publicamente a imagem do autor, ao sugerir que ele teria cobrado por entrevista de Pelé para a revista Playboy – o que, diga-se, não faz sentido dentro do que ordinariamente se observa – a par de carecer de provas. Observa-se o claro intuito de menosprezar o autor em trecho daquele artigo, referindo-se ao autor: “o cara escreve em revista de mulher pelada, só faz entrevista de oba-oba, é, então, naturalmente mandado embora, como de todos os outros empregos anteriores, e quer ser levado a sério??!!”.
Pior: afirma que o autor responde a “trocentas” ações na Justiça Cível e Criminal, e “já foi processado até mesmo por falta de pagamento de pensão alimentícia a menor”.` O dolo da ofensa é ratificado pelo réu ao reproduzir em seu site oficial carta por ele dirigida à Revista Veja, onde chama o autor, em claro tom pejorativo, de “arquivista e sociólogo” (profissões que sabidamente não exerce), “única pessoa que já recebeu dinheiro da empresa de um entrevistado”, e que pratica “explícita picaretagem ética”; além de não ter diploma de jornalista. Evidente a intenção de humilhar e denegrir a imagem do autor em público, por todas as formas.
Sendo reprovável, em especial, a conduta de colocar em xeque sua idoneidade como pai, ao dizer que não pagaria pensão alimentícia, o que extrapola completamente o debate jornalístico, para entrar na esfera recôndita da família, atingindo o que uma pessoa de bem tem de mais sagrado, sem qualquer interesse público. Aliás, violando o segredo de justiça que acoberta tal tipo de processo. Contínua, portanto, a execração pública, que ninguém é obrigado a tolerar, nem mesmo o mais crítico e polêmico dos jornalistas.
Tudo a causar dano moral, afronta à dignidade da pessoa humana, tutelada constitucionalmente. Por outro lado, ainda que alguma provocação por parte do autor tenha de fato ocorrido, não foi de molde a autorizar as agressões eloqüentes publicada pelo réu em seu site. Até porque a retorsão imediata só se admite no calor dos debates, em caso de ofensas recíprocas, e não como vingança, mormente nos casos em que se perpetua através de meio de comunicação de amplo acesso como a Internet. Ainda neste aspecto, a retorsão imediata só se admite nos casos de injúria e não nos de difamação, como o praticado pelo réu.
Por outro lado, se é natural que aos jornalistas seduza a polêmica, o estrépito, o que aumenta sua audiência, e seu faturamento, não se vê ofensas tais partindo do autor que pudessem enredar o réu, jornalista experiente e bem-sucedido, em sua manifestação de rancor e vingança contra o autor. O dolo, na espécie, deflui da própria opção por narrativas, palavras e expressões insuscetíveis de utilização com sentido diverso, que não o de achincalhar o autor, sujeitando-o à reprovação ético-social, ofensiva à sua reputação. No caso, as palavras difamatórias utilizadas deixam claro que o réu imputou ao autor a prática de atos altamente desabonadores, que colocam em xeque a idoneidade que se espera do profissional do jornalismo.
O homem médio que leu os textos no site do réu – abstraindo-se juízos pessoais conforme a opção política, esportiva e ideológica – só pode ter tido uma percepção, em suma. Resta, então, o arbitramento do valor do dano moral, que deve ser feito tendo em vista a gravidade das ofensas e as condições das partes, jornalistas de renome. Certo ainda que o réu tem elevada capacidade financeira, dado seu sucesso profisisonal, como por ele próprio apregoado. Assim, visando a justa reparação e retribuição, consideradas as condições das partes, e para que haja efetiva punição, mostra-se razoável a pretensão inicial, pelo arbitro o valor do dano moral em R$ 48.000,00.
Pelo exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido, para condenar o réu MILTON NEVES a pagar ao autor JOSÉ CARLOS AMARAL KFOURI o valor de R$ 48.000,00, com correção monetária pela tabela prática do Tribunal de Justiça desde o ajuizamento, e juros de mora de 1% ao mês a contar do ilícito (março de 2007 – fls. 19/24), arcando o réu com despesas processuais, sendo os honorários advocatícios ora arbitrados em 10% do valor da condenação, suficientes à remuneração do patrono. E para CONDENAR o réu, nos termos do art. 75 da Lei 5.250/67, a fazer publicar esta sentença, por uma vez, em jornal de grande circulação nacional, no caderno de esportes, no domingo, cabendo ao autor a escolha do jornal; bem como a publicá-la em seu site, com os mesmos caracteres tipográficos e destaque, pelo prazo de 3 meses; tudo sob pena de multa diária de R$ 1.000,00, a correr a partir de 15 dias depois do trânsito em julgado desta sentença. Caso o réu não faça a publicação, poderá o autor fazê-lo, mediante prévia aprovação do juízo, inclusive quanto ao valor, reembolsando-se nestes próprios autos em fase de execução; sem prejuízo da multa cominatória diária.
A partir do trânsito em julgado, independente de requerimento do credor, nova intimação ou qualquer outro ato, estará o devedor automaticamente obrigado ao pagamento da condenação e ao cumprimento da obrigação de fazer, em 15 dias, sob pena de multa de 10%, nos termos do artigo 475-J do Código de Processo Civil. P.R.I.C.
São Paulo, 11 de setembro de 2007.
CARLOS EDUARDO BORGES FANTACINI
Juiz de Direito
Revista Consultor Jurídico, 13 de setembro de 2007
Cartilha são-paulina para jovens jogadores proíbe até boné, mas ajuda garotos a exercitarem a imaginação
AMIGO TORCEDOR , amigo secador, sei que existem coisas mais austeras e chatas para tratar, mas deixemos tais assuntos para os gloriosos especialistas que gastam diariamente o tinteiro da rabugem crônica e com isso ganham suas pobres vidas. O assunto mais interessante da semana, no entanto, é a cartilha imposta pelo São Paulo aos seus jovens atletas, especialmente aos juniores. Interessante porque consegue ser mais reacionária e moralista do que o catecismo do papa Bento 6º. Interessante porque retrocede aos tempos pré-Carlos Zéfiro, aquele carioca dos folhetos sacanas capazes de levar à loucura primos e primas nos anos 1960 e 70. Interessantíssimo e a cara do estilo tricolor de ser ranzinza e contra a vida. Amigo, a cartilha chega ao grau zero da hipocrisia ao proibir até bonés. O que um boné, noves fora qualquer debate sobre moda e etiqueta, pode mudar em um homem e suas miseráveis circunstâncias? Amigo leitor, gritemos, agora, bem alto, mirando a fumaça na janela ou com raiva do chefe cricri que enche o saco: nada! Mas tudo isso é pouco, camarada ludopédico, diante do que contarei logo mais. Antes, porém, uma embaixadinha com aspas. "A prioridade é formar pessoas de bom caráter, e a educação é o principal ponto", disse Zé Sérgio, técnico do sub-17, ao bravo Tiago Leme, do "Agora". Amigo, o que um boné, para ficarmos só nesta insignificância que nos livra do sol na cara e impede o câncer de pele a um homem sem cabelo, pode contribuir ou não para o caráter de um jovem mancebo? Repita, amigo, agora olhando para a gostosa da firma: nada! Sim, querido Halley Bó, acredite, o Manual Disciplinar do Atleta, livrinho de 12 páginas obrigatório, proíbe também buraco, tranca, sueca e truco. Dominó, nem pensar. Inspirado no catecismo são-paulino estou a escrever, caro Pereira, um breviário sobre a relação kantiana entre o caráter de jovem e o truco. Sério! E caprichosamente à maneira satírica do camarada Jonathan Swift. Mas deixemos boné e outras boas maneiras de lado e baixemos o nível. A cartilha, amigo, chega ao ponto de, praticamente, proibir masturbação. Não proíbe porque o lindo e tresloucado gesto está longe do alcance da mão que balança a cruz inquisitória. O maldito código, porém, diz, a certa altura, que arderá no inferno o jovem flagrado com revistas pornográficas. Nem o Bento 16 seria capaz de tanto. Pelo contrário. A Igreja Católica até admite a masturbação, desde que para fins legítimos, leia-se a manutenção e melhoria do casório, seu mais sagrado sacramento. Sacanagem a cartilha são-paulina. Ora, são jovens que vivem praticamente como nos seminários, só saem para estudar e dar tratos à bola. Se bem que, como tudo na vida, há coisa boa na famigerada cartilha. Amigo, repare bem como são as contradições da vida, ao proibir revistas, a cúpula do Morumbi incentiva o uso regular da imaginação por esses moços, pobres moços. Ato dos mais saudáveis em tempos tão mesquinhos ao ponto da narrativa das masturbações padecer de bons enredos. Ao proibir "Sexys", "Playboys" e afins, o São Paulo, uma Suíça ludopédica, como diz o velho Xinho, incentiva a mais saudável das práticas: a ficção carnal e amorosa!
Inter e Santos se dizem próximos de ter Nilmar e anunciá-lo hoje, último dia para inscrições de atletas no Brasileiro. Tudo por conta das relações que ambos têm com Delcir Sonda, empresário que acertou com o jogador a compra de 65% de seus direitos federativos, segundo cartolas corintianos. Dirigentes gaúchos e santistas negociavam ontem para ficar com o atacante, que teve seu contrato rompido com o Corinthians depois de uma decisão em primeira instância da Justiça do Trabalho. Mas a possível ida de Nilmar para Santos ou Porto Alegre pode ser breve, segundo um dos advogados do jogador. Breno Tannure diz que a contratação pode ser brecada pelo Corinthians, que hoje deve entrar com pedido de recurso na segunda instância do TRT de São Paulo. "Claro [que o clube que contratar Nilmar] corre risco. Isso não seria surpresa nenhuma para mim." Tannure, porém, diz que os interessados em contar com o jogador estão cientes de que eventualmente podem contratá-lo, pagar seus salários e, ainda assim, não poder utilizá-lo, caso a Justiça revise a decisão. "Aí é uma outra briga que teremos", diz ele, atribuindo o imbróglio que envolve seu cliente ao fato de Nilmar ter sido trazido de volta ao Brasil pela parceria Corinthians/MSI. Enquanto isso, o clube do Parque São Jorge apresentou ontem o meia Héverton. ( Folha de São Paulo)
Blog do Citadini: Fique com boas perguntas:
1- Comprou direitos federativos de quem ? 2- Do clube ? Qual clube? 3- Do jogador? Do empresário? 4- Esta não seria uma típica operação Berezoviskana ? 5- E o valor da operação está sendo pago prá quem?
Vamos aguardar ,nos próximos dias, a nossa mídia trará as respostas.
Compra e venda de atletas serão alvos da Comissão de Turismo e Desporto
Proposta para investigar o caso é uma resposta à divulgação de escutas telefônicas realizadas pela Operação Perestroika, da PF
ANDRÉA MICHAEL DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Câmara dos Deputados pretende passar um pente-fino nas transações de compra e venda de jogadores de futebol realizadas nos últimos cinco anos. Serão alvo da investigação, que terá apoio da Receita Federal, clubes e federações. A medida, decidida ontem em reunião da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, aborta a criação de uma CPI proposta para investigar o caso e é uma resposta à divulgação de escutas telefônicas realizadas na Operação Perestroika, da Polícia Federal, que colocou no banco dos réus, entre outros dirigentes do Corinthians, o presidente afastado Alberto Dualib, por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Os diálogos gravados com autorização judicial revelaram o que até então era uma suspeita: houve tratativas para viabilizar, com aval do governo, estada tranqüila no país para Boris Berezovski, que na Rússia é procurado pela polícia por corrupção e lavagem de dinheiro. A Justiça brasileira também decretou a prisão de Berezovski e do iraniano Kia Joorabchian, presidente da MSI. De acordo com a investigação, com o argumento de que investiam no futebol brasileiro, eles estariam lavando dinheiro ilícito obtido no exterior. Tecnicamente o pente fino se chama "Proposta de Fiscalização e Controle", possibilidade prevista na Constituição Federal e no Regimento Interno da Câmara. Os deputados podem convocar e não apenas convidar pessoas para depor, bem como requisitar dados. "Só não podemos quebrar sigilo", diz o autor da proposta, deputado Gilmar Machado (PT-MG). A fiscalização foi um atalho que Machado diz ter encontrado para fugir da fila de CPIs aguardando para serem instaladas na Câmara. Tecnicamente, só há uma comissão que espera espaço para ser instalada. Para o início da fiscalização do futebol basta aprovação do requerimento pela Comissão de Turismo e Desporto -a presidente da comissão, Lídice da Mata (PSB-BA), apóia a idéia. Com a iniciativa, a base do governo praticamente abortou a proposta do deputado Silvio Torres (PSDB-SP) de criar uma CPI para investigar as transações do futebol. Foi a pedido do tucano que a comissão ouviu ontem, em audiência pública, o depoimento dos conselheiros do Corinthians Roque Citadini, Rubens Approbato Machado, Andrés Sanches e Flávio Adauto. Sanches chegou a chorar diante dos deputados ao relatar a situação do Corinthians hoje. "Desde 2004, o governo tem relatórios da Abin [Agência Brasileira de Inteligência] informando sobre a periculosidade do Boris. Mas com certeza alguns de seus membros tentaram envolver o governo nessa operação, o que mostra que o governo está vulnerável", disse Torres, que pretende reunir apoio dos colegas antes de apresentar o requerimento para uma nova CPI do Futebol. A audiência pública teve a participação do secretário nacional de Justiça e conselheiro corintiano, Romeu Tuma Júnior, que também se mostrou descrente quanto aos resultados de uma CPI. Ele disse que, com seus 28 anos de experiência como delegado da Polícia Civil, vê como "normal" uma organização criminosa, como a supostamente comandada pelo russo, busque aproximação com o poder. "É assim que eles sempre fazem. Também buscam eleger seus representantes políticos. Se não
Nos grampos da Operação Perestroika sobre a parceria Corinthians/MSI, cada linha telefônica ganhou codinome referente ao regime comunista na Rússia. A maioria dos números do presidente afastado Alberto Dualib tem a denominação Stalin. Yvanov é o código para os telefones de jogadores corintianos e agentes de atletas interceptados. As linhas ligadas à MSI, como as de Kia Joorabchian, recebem a alcunha de Lenin. Já o agora opositor Andrés Sanches é denominado Marx. Outros grampeados são chamados Yuri.
Livro aberto. Não são só os oito jogadores corintianos investigados que aparecem citados nas escutas da PF. Outros atletas têm seus salários e a forma de pagamento discutidos pelos dirigentes.
Temor. Diálogos entre cartolas e membros da MSI, e constantes trocas de números de linhas, mostram que eles tinham noção de que seus telefones eram monitorados pela PF. Até tentavam descobrir qual o andamento das investigações. Pelas conversas, não tiveram sucesso.
De olho. O Ministério Público Federal pedirá à polícia a instauração de inquérito para apurar o vazamento das escutas à imprensa.
Brasília, quinta-feira, 13 de setembro de 2007 - 17:34h
Notícias
13/09/2007 - 17:00 - STF permite que ex-jogador de futebol Freddy Rincon responda em liberdade a processo de extradição
O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu, por maioria de votos, Habeas Corpus (HC 91657) ao ex-jogador de futebol Freddy Eusébio Rincon Valencia, permitindo-lhe responder em liberdade ao processo de extradição formulado pelo governo panamenho. Preso em maio deste ano por ordem do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, Rincon responde, no Panamá, a processo por suposto crime contra a economia em virtude de lavagem de dinheiro oriundo de associação ilícita com o tráfico de drogas.
Ao relaxar a ordem de prisão, no entanto, o STF adotou diversas cautelas. O ex-jogador, que possui nacionalidade colombiana, terá que entregar seu passaporte ao STF; não poderá deixar sua cidade de domicílio sem prévio consentimento da autoridade brasileira e terá de atender todas as chamadas judiciais. Rincon se encontra preso na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde reside.
A defesa do ex-jogador sustentou a ilegalidade da prisão preventiva, alegando insuficiência na instrução do pedido de extradição. O argumento foi rechaçado pelo relator, ministro Gilmar Mendes, que considerou o pedido regular. A defesa argüiu, ainda, nulidade da decisão que decretou a prisão de Rincon, alegando que não houve manifestação prévia do Ministério Público. Também esta alegação foi afastada pelo relator e pelos demais ministros presentes à sessão de hoje do Plenário. Segundo eles, a manifestação do MP não é obrigatória para fins de concessão de liminar.
Já o argumento da desnecessidade da prisão preventiva, levantado pela defesa do colombiano, segundo a qual a liberdade dele não ensejaria perigo para a instrução criminal desenvolvida pelo Governo do Panamá, suscitou debates. O próprio relator, apoiado pelos ministros Celso de Mello, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso, sustentou a necessidade de rediscussão, pelo Tribunal, do instituto da prisão preventiva para fins de extradição.
Gilmar Mendes lembrou que a jurisprudência do STF é no sentido da prisão preventiva até o fim do julgamento dos pedidos de extradição, para garantir a entrega do extraditando ao Estado requerente. Mas observou que, freqüentemente, há grande demora na instrução desses processos. Com isso, segundo ele, o Estado brasileiro acaba, muitas vezes, sendo mais rigoroso com os cidadãos estrangeiros do que com os próprios brasileiros, considerando o que preconiza o Código de Processo Penal para a prisão preventiva.
O relator lembrou, a propósito, que a Constituição brasileira, em seu artigo 5º, ao dispor sobre os direitos e garantias fundamentais da pessoa humana, não exclui os estrangeiros dessas disposições. Ele invocou, também, o Pacto de São José, que trata da punição dos países que desrespeitam os direitos humanos, lembrando que o Brasil é um dos seus signatários. Ressaltando este argumento, o ministro Carlos Ayres Britto disse que os direitos e garantias fundamentais expressos no artigo 5º da CF não excluem outros direitos, nem aqueles contidos em tratados internacionais de que o Brasil é signatário.
O ministro Celso de Mello observou, neste contexto, que o estrangeiro, por sofrer processo de extradição, não pode ficar absolutamente sujeito ao Estado brasileiro quanto a seus direitos e garantias individuais, cuja intangibilidade tem que ser preservada. Segundo ele, cabe ao Brasil zelar por esses direitos.
Da decisão da maioria divergiram os ministros Menezes Direito e Marco Aurélio. Direito, que abriu a divergência, insistiu na jurisprudência firmada pelo STF quanto à necessidade da prisão preventiva para fins de extradição, sustentando que exceções devem ser aplicadas tão somente a casos bem específicos, como por exemplo o excesso de prazo na instrução do processo.
Marco Aurélio, no mesmo sentido, afirmou, também, que o fato de o extraditando já residir há algum tempo no Brasil não é suficiente para afastar a sua custódia
Fui informado ,às 15 hs, pelo advogado Dr. Eduardo Nunes , que o STF ( Supremo Tribunal Federal) concedeu habeas corpus ao nosso caríssimo jogador Rincón. Por 5 votos contra 2 , nosso capitão ,com o voto do relator Ministro Gilmar Mendes, ganha uma nova batalha nos seus duros dias atuais. Agora, em liberdade, poderá vencer outros obstáculos que estão por ai.
A Fiel Torcida ama o Pacaembu desde 1940 mas o velho sonho de poder se emocionar pelo Timão na própria casa nunca deixou de acompanhá-la. Por isso, fica difícil entender a razão pela qual até hoje nenhum local digno para receber a massa alvinegra tenha sido erguido. Recentemente, o empresário da construção civil Walter Torre se ofereceu para construir um estádio de graça para o Timão com capacidade para 56 mil pessoas. Em troca, venderia os camarotes. Mas o conselho, inexplicavelmente, não deu o aval.
Agora, quando a Federação Paulista de Futebol e a CBF se manifestam favoravelmente à construção de um estádio em São Paulo para ser utilizado na Copa de 2014 que, após o Mundial, seria entregue ao Corinthians, detecto cartolas ouriçados e felizes com a idéia no Parque São Jorge. Por isso, me pergunto: por que estádio de graça não interessa?
Você, torcedor, pensa o que sobre isso? Será que tem conselheiro do Corinthians querendo levar dinheiro para aprovar o estádio que seria construído de graça? Opine! do blog do Milton Neves
Atenção! Este blog do citadini adverte:
Vc acredita em "estádio construido de graça" ? Vc acredita em ganhar uma casa de graça? Vc acredita ganhar um carro de graça? Vc ,que acreditava que o futebol brasileiro precisava de " mais e mais Kia", deve acreditar agora neste presente.Agora, caso vc acredite que " no capitalismo não há almoço grátis" discuta, cobre explicações e ........não sonhe com milagres. De qualquer santo .
O primeiro candidato oficial à sucessão de Alberto Dualib foi escolhido anteontem. O empresário Paulo Garcia irá concorrer na próxima eleição presidencial do Corinthians. O nome dele foi o escolhido por grupo ligado à atual situação do clube. Nele está incluído o presidente do Cori (Conselho de Orientação), Antonio Roque Citadini. O presidente em exercício do clube, Clodomil Orsi, e o vice Wilson Bento também devem apoiar a candidatura de Garcia. A oficialização ocorreu em jantar oferecido na casa de Alexandre Husni, atual vice-presidente do Conselho Deliberativo corintiano. Participaram cerca de 40 conselheiros. Além da definição do nome de Garcia, os conselheiros presentes discutiram as denúncias contra Dualib e o vice Nesi Curi, ambos afastados. Segundo relato de participantes, a desembargadora Maria Teresa do Amaral defendeu que o clube entre com ação por reparação de danos contra Dualib. Isso significa que o cartola pode ter seus bens bloqueados pela Justiça. Dualib é suspeito de ter se beneficiado da emissão de notas frias por empresas que supostamente prestaram serviços ao clube. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual e pelo Deic (Departamento de Investigação sobre o Crime Organizado). Pelo que foi apurado, o Corinthians já foi lesado em R$ 436 mil. O promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro crê que o rombo possa ultrapassar R$ 1,5 milhão. Atualmente, a dívida corintiana é de R$ 74 milhões, mas pode chegar a R$ 100 milhões.
GRAMPO: KIA CITA LAVAGEM DE DINHEIRO O iraniano, presidente da MSI, foi flagrado pelas escutas telefônicas falando com Renato Duprat, para terminar com "situação de lavagem de dinheiro" e também para retirar jogadores do Corinthians e levá-los para o Ituano. Entre eles, Lulinha e Willian, ambos revelados pelas categorias de base do clube. A conversa foi em junho.
Os escândalos envolvendo a parceria MSI/Corinthians continuam a se suceder. A TV Globo divulgou ontem trecho de escuta gravada pela Polícia Federal que mostra que, apesar de o fundo de investimento não mandar dinheiro desde maio de 2006, Kia Joorabchian tinha muito poder no clube em junho de 2007. A ponto de mandar o empresário Renato Duprat repassar nove jogadores do Corinthians para o Ituano e formar nova parceria.
''''Tira Carlos Alberto, (Marcelo) Mattos, Ratinho (Eduardo), Willian, Lulinha, mais um... Dentinho, Kadu, Zelão e Éverton (Santos). E aí acabou! Faz uma parceria rápida com o Ituano, coloca tudo lá e acabou a co-administração'''', dizia Kia.
Desses nove atletas, três vieram do Bragantino: Kadu, Éverton Santos e Zelão. ''''E termina essa situação de lavagem de dinheiro'''', completa o iraniano. O advogado de Kia, Roberto Podval, fez questão de responder por seu cliente, que está com prisão preventiva pedida pela Justiça Federal.
''''O que eu posso dizer é que não há nenhum ato ilícito feito pelo Kia. Vou tentar revogar o pedido de prisão preventiva dele'''', afirmou. ''''No Brasil é tudo ao contrário. Deveriam interrogá-lo antes de pedir a sua prisão preventiva.'''' O advogado não quis confirmar se o iraniano virá ao Brasil em novembro depor, como a PF espera.
Edson Tomba, vice presidente do Ituano, nega que o seu clube estava à disposição de Kia. ''''Eu pedi para o Duprat arrumar uma parceira, um investidor, para nós. Isso foi em maio. Ele disse que não tinha dinheiro, mas ficou de ver isso para a gente'''', explicou. ''''Mas nunca comentou sobre o Kia. Meu contato com Duprat acabou aí. Nunca mais ele me deu retorno'''', garantiu. ''''Ele deve ter falado com o Kia. Estou surpreso com essas declarações dele.''''
O presidente do Bragantino, Marquinhos Chedid, também desmentiu Kia. ''''Kadu, Zelão e Éverton pertencem ao Corinthians e ao Bragantino. Não tenho e nem quero ter nenhuma ligação com a MSI'''', disparou. ''''Nunca falei com o Kia, não entendo por que ele falou sobre os nossos jogadores. Nem me interessa saber'''', reclamou. ''''Mas falou sem ter direito.''''
Para piorar, o Gaeco - Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado - descobriu notas fiscais frias com a assinatura do atual presidente do Corinthians, Clodomil Orsi. Segundo o procurador José Reinaldo Carneiro, isso não dá garantias de que Orsi faça parte do esquema que desviou pelo menos R$ 436,5 mil dos cofres entre os anos de 2000 e 2005. ''''O Clodomil é quem assinou essas notas. Eu vi, não dá para negar. Ele sabe que colocou o nome em notas frias'''', acusou o ex-vice de futebol, Rubens Gomes.
PF abre inquérito para apurar se corintianos receberam no exterior
Ricardinho, Carlos Alberto e Emerson Leão negam terem ganho salários fora do país, mas policiais devem ouvi-los em depoimentos no futuro
RODRIGO MATTOS DA REPORTAGEM LOCAL
A Polícia Federal já abriu novo inquérito para apurar crimes de evasão de divisas e sonegação fiscal, entre outros, relacionados à parceria Corinthians/MSI. Além dos cartolas corintianos e de empresários estrangeiros, são investigados jogadores e um técnico. O procedimento investigatório tem o número 12/0184/ 2007. Foi aberto em 13 de julho, após o início do processo contra dirigentes do clube e da MSI por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Delegados da PF entenderam que as escutas telefônicas da Operação Perestroika mostravam indícios de crimes além dos denunciados pelo Ministério Público Federal. Há, principalmente, suspeita de pagamentos a atletas no exterior. Agora, procuradores também decidiram pedir aos policiais a apuração desses crimes. Entre outros, já são investigados Carlos Alberto, Mascherano, Tevez, Ricardinho, Gustavo Nery, Nilmar, Roger, Silvio Luiz e o técnico Emerson Leão. Seus nomes passaram a ser alvos porque foram citados em grampos da PF. Os policiais pretendem chamá-los para depor no inquérito no futuro. Nas escutas obtidas pela Folha já apareciam diálogos que indicavam que Carlos Alberto e Ricardinho teriam recebido pagamentos fora do Brasil. Um recado de Gisele, ex-mulher de Carlos Alberto, em um celular, diz que vai "abrir a boca sobre o depósito do salário, que é feito metade aqui e metade no exterior." Já Ricardinho conversa com Kia Joorabchian, da MSI, que promete lhe pagar US$ 1,144 milhão no exterior. Ambos negaram, via assessoria, receber dinheiro fora do país. O salário de Leão é discutido, mas não há menções a contas no exterior nos grampos divulgados. O técnico, hoje no Atlético-MG, disse ao jornal "O Tempo" que tudo foi pago regularmente. Seu salário era R$ 500 mil. O balanço do Corinthians registra mais de R$ 10 milhões a serem pagos em contrato de direito de imagem de Leão para 2007, antes de ele ser demitido. Gustavo Nery e Roger também têm contratos de direitos de imagem significativos, pelo balanço. Nenhum dos dois foi encontrado pela reportagem, bem como Silvio Luiz, Tevez e Mascherano. O procurador de Nilmar, Orlando da Hora, manteve seu celular desligado. Os dirigentes corintianos, como o presidente afastado Alberto Dualib, também serão investigados neste novo inquérito. "No telefone, 95% do que se fala não acontece, e isso não serve de prova", disse, ontem, Dualib à rádio CBN.
A Polícia Federal viu frustradas suas tentativas de fazer busca e apreensão e de pedir prisões preventivas de cartolas envolvidos nos supostos crimes na parceria Corinthians/MSI. No órgão, a opinião é de que houve pressa na denúncia do Ministério Público Federal. Depois de iniciado o processo, as medidas se tornaram inócuas porque os dirigentes poderiam esconder provas. Já os procuradores dizem que ofereceram denúncia porque já havia indícios suficientes. Por enquanto, estão descartados pedidos de prisão.
Além do russo. O empresário israelense Pini Zahavi também será um dos alvos do novo inquérito da Polícia Federal no caso Corinthians/MSI. Ele tinha parte de atletas corintianos.
Na moita. Citado nos grampos da PF, o presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, não fala do tema e nem interfere na sucessão do Corinthians, como fez anteriormente em outros clubes.
Duelo. O encontro entre Antoine Gebran, do Corinthians, e Marcelo Portugal Gouvêa, do São Paulo, teve uma discussão sobre o projeto de estádio corintiano. O são-paulino não gostou da iniciativa. E o corintiano ameaçou não jogar mais no Morumbi.
Iraniano queria acabar com parceria entre MSI e Corinthians
Escuta de Kia Joorabchian feita pela PF aponta jogadores a tirar do clube, com destino ao Ituano
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SÃO PAULO - As escutas feitas pela Polícia Federal na investigação da parceria entre o Corinthians e a MSI confirmam que o empresário iraniano Kia Joorabchian quis romper o contrato com o clube quando a crise entre ele e o atual presidente licenciado Alberto Dualib se tornou insustentável. No diálogo apresentado pela TV Globo, o iraniano dá a lista de jogadores a sair do clube e para onde levar.
A conversa é de julho de 2006, com o empresário Renato Duprat.
Kia - Primeiro, termina a situação de lavagem de dinheiro. Duprat - Ok, Ok! Kia - Segundo, tira Carlos Alberto, Mattos, Ratinho, Willian, Lulinha, mais um... Duprat - Dentinho... Kia - Dentinho, Kadu, Zelão e Everton. E aí acabou! Duprat - Entendi... Kia - Faz uma parceria muito rápido com o Ituano. Duprat - Perfeito! Kia - Coloca tudo esses caras (sic) lá e acabou a co-administração.
Na segunda conversa, Dualib fala com Duprat sobre uma possível remuneração financeira se abrir as portas do Corinthians para um empresário israelense, Pina Zahavi.
Dualib - Ele tendo o jogador que ele quer projetar, a gente põe no Corinthians em exposição. É muito importante ter um clube do Brasil. Você pode comprar um jogador, desde que esteja de acordo com o técnico, e coloca aqui para projetar e põe para vender, desde que tenha uma porcentagem para a gente. Duprat - Exatamente isso.
A diretoria atual do Ituano se defende, alegando que o contato, se existiu, foi feito na administração anterior, quando o time era comandado pelo empresário Oliveira Júnior. Este também disse que não teve nenhum contato com a MSI ou representante. O caso segue sendo investigado pela Polícia Federal e o Corinthians estuda a possibilidade de romper o contrato e de votar o impeachment de Dualib.
Escutas telefônicas confirmam lavagem de dinheiro da MSI
São Paulo (SP) - A cada dia que passa complica-se mais a situação de Alberto Dualib, presidente afastado do comando do Corinthians, e dos demais cartolas envolvidos na parceria do Timão com a MSI, fundo de investimentos presidido pelo iraniano Kia Joorabchian.
Nesta quarta-feira, a TV Globo revelou novos trechos das escutas telefônicas captadas pela Polícia Federal que comprovam o uso da parceria para lavagem de dinheiro. Na conversa, datada de junho de 2007, entre Kia Joorabchian e Renato Duprat, intermediário da MSI com o Corinthians, o iraniano orienta claramente Duprat a “terminar com a lavagem de dinheiro” e retirar determinados jogadores do elenco alvinegro.
“Vamos terminar com essa situação de lavagem de dinheiro agora. Tira do Corinthians o Marcelo Mattos, o Eduardo Ratinho, o Carlos Alberto, o Willian, o Kadu, o Zelão, o Everton Santos e mais um...”, orienta Kia, até ser interrompido por Duprat, que completa: “O Dentinho”.
Kia retoma o comando da conversa, confirma a inclusão de Bruno Bonfim, o Dentinho, entre os jogadores que devem ser retirados do Corinthians e dá novas orientações: “Isso, o Dentinho. Acaba com essa co-administração e faz uma parceria rápida com o Ituano. Coloca tudo isso lá”.
Em outra conversa, desta vez entre Duprat e Alberto Dualib, o presidente afastado oferece o Corinthians para que outro empresário, o israelense Pini Zahavi, coloque seus jogadores na vitrine.
“Ele terá que projetar o jogador. A gente põe para jogar no Corinthians e, quando vender, você dá uma porcentagem para nós”. Duprat, em poucas palavras, concorda: “Claro, claro. É isso mesmo”.
Ouvidos pela reportagem da televisão, os dirigentes do Ituano negaram qualquer envolvimento com Kia ou outro integrante da MSI. Alegam que assumiram o controle do clube depois de junho de 2007, data da escuta telefônica.
Na última terça-feira, Rubens Gomes, o Rubão, ex-vice de Futebol do Corinthians, já havia declarado ter provas do envolvimento do russo Boris Berezovski com a parceria.
'Eu tenho cópia de uma carta do Boris Berezovski que garante o investimento de US$ 50 milhões (cerca de R$ 100 milhões) no Corinthians. Me deram essa cópia e eu guardei. Sou um homem considerado bruto, mas sou transparente, não minto. Essa carta é do Berezovski mesmo'.
Os dirigentes corintianos serão ouvidos nesta quinta-feira pela manhã em Brasília na Comissão de Turismo e Desporto para tentar explicar a nebulosa parceria com a MSI. Seguirão para a capital federal Romeu Tuma Júnior, Rubens Approbato Machado, Antonio Roque Citadini, Andrés Sanchez e Flávio Adauto, ex-diretor de comunicação do Timão
Citadini diz que Corinthians/MSI mentia quando realizava negociações
O presidente do Cori (Conselho de Orientação do Corinthians), Antônio Roque Citadini, afirmou que o clube mentia quando realizava negociações durante a parceira com a MSI.
"O eixo central da parceria era uma mentira. O clube não podia dizer quem eram os verdadeiros investidores da parceira. Comprava um jogador, tinha que mentir. Tinha que pagar alguma coisa, tinha que mentir", disse Citadini, em entrevista à TV Globo.
"Não conheço período mais difícil que essa parceria. É a maior mancha da nossa história", continuou.
Um relatório da Polícia Federal com o conteúdo de grampos telefônicos apontou diversas opreação ilegais de Corinthians e MSI. As conversas mostram que o magnata russo Boris Berezovski era realmente o maior investidor, ao contrário do que diziam dirigentes do clube e representantes do fundo.
Tanto pessoas do clube, como o presidente licenciado, Alberto Dualib, e seu vice, Nesi Curi, como pessoas ligadas à MSI são réus em processo na Justiça Federal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Quarta, 12 de setembro de 2007, 09h34 Atualizada às 09h54 Jornal: Dualib culpa bancos por reconhecerem dinheiro
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O presidente licenciado do Corinthians, Alberto Dualib, culpou bancos por reconheceram como legítimo o dinheiro investido no clube pela MSI, grupo britânico parceiro, em entrevista ao jornal Lance!. O Terra Magazine publicou conteúdo do relatório de 72 páginas da investigação da Polícia Federal, que revela lavagem de dinheiro no caso Corinthians/MSI.
"Tenho a consciência tranqüila de que fiz tudo dentro da lei. Tudo passou pelo Banco Central. Nunca desconfiei que o dinheiro fosse ilícito. Não dá para adivinhar. A responsabilidade é dos bancos que reconheceram esse dinheiro como legítimo. Ele veio de uma offshore que, você sabe, reúne investidores desconhecidos. O tempo vai mostrar quem são os investidores", disse Dualib ao jornal.
Segundo transcrissão de escuta telefônica feita pela PF, em 16 de maio de 2007, às 20h37min08, Dualib, conversava com seu braço direito informal, Renato Duprat Filho. Ao tratar da remessa de recursos do bilionário russo Boris Berezovski para o Brasil, o presidente corintiano diz "Dinheiro não pode mandar mais aí como lavagem... tem que limpar isso aí".
Berezovski sempre teve sua presença na parceria oficialmente negada pela diretoria corintiana. A Abin, órgão de assessoramento da Presidência, tem informações sobre conexões criminosas do russo pelo menos desde 2005. Na entrevista ao jornal Lance!, Dualib adotou postura defensiva ao ser perguntado se Berezovsky é mesmo investidor do MSI. "Não, sobre isso eu não posso falar. É só com o meu advogado (José Luiz Toloza Costa)".
O presidente licenciado declarou ainda ao jornal que, "quando foi feita, era uma boa parceria (com a MSI), mas aí foram surgiram umas coisas paralelas". E deu a sua explicação. "Não sei o que foi. Mas tenho prova de que o dinheiro é legal. Ele saiu da Inglaterra, veio para o Brasil, passou pelo Banco do Brasil, pelo Bradesco, pelos órgãos competentes do Banco Central para analisar esse tipo de coisa e não deu nada. Se nem eles conseguiram detectar alguma coisa, quem somos nós para duvidar da origem do dinheiro?", disse em entrevista ao Lance!.
Ministério Público Federal vai requisitar à PF investigação sobre suborno a fiscal e pagamentos de atletas fora do país
Dirigentes do clube, réus em processo por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, podem agora ser acusados de novos crimes
Fernando Santos/Folha Imagem
O volante Rafael Fefo, que não está inscrito na Copa Sul-Americana mas treinou como titular
EDUARDO ARRUDA PAULO GALDIERI DA REPORTAGEM LOCAL
O Ministério Público Federal vai requisitar à Polícia Federal a instauração de inquérito criminal para investigar a negociação de um suborno a fiscal da Receita Federal por dirigentes corintianos e também a suspeita de pagamento de atletas do clube fora do país. Os dois casos constam nas interceptações telefônicas feitas pela PF durante a investigação da parceria do clube com a MSI. Os procuradores da República entendem que esses casos, que não entraram no processo criminal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, aberto na 6ª Vara Criminal Federal, merecem investigação à parte e devem se transformar em duas novas denúncias. O primeiro mostra negociações entre o presidente corintiano Alberto Dualib, o vice Nesi Curi e o ex-controlador financeiro Marcos Roberto Fernandes para viabilizar o pagamento de R$ 150 mil ao auditor da Receita Federal Manoel Reinaldo Manzano Martins. Os diálogos foram travados entre janeiro e março deste ano. No dia 13 de março, segundo as transcrições, Dualib pergunta a Marcos se "não faltam R$ 75 mil", e Fernandes "se corrige e diz que sim", pois Dualib "fechou em R$ 150 mil". Fernandes diz que primeiro "deu R$ 25 mil, depois levou R$ 50 mil e faltavam R$ 75 mil". O controlador diz que "ele [Manzano] está louco atrás de dinheiro e fica ligando." Em várias conversas com os corintianos, Manzano mostra estar aparentemente negociando para uma terceira pessoa, que identifica como "menino". Segundo relatório da PF, "os diálogos são bastante explícitos e não deixam dúvidas de que, após fiscalização da Receita nas contas do Corinthians, o fiscal Manoel Manzano ao invés de lavrar a autuação solicita vantagem indevida e é atendido". A superintendência da Receita Federal disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que tomou ciência do caso e que está investigando todos os aspectos fiscais e funcionais. Segundo a Folha apurou, Manzano não fazia parte da equipe de fiscais designados para fiscalizar o Corinthians. Até maio deste ano, ele foi assistente do gabinete na Secretaria da Receita. Este cargo não permite que ele faça autuações em clubes. Atualmente, Manzano está no DEAIN (Delegacia de Assuntos Internacionais). A Folha não localizou Manzano nem Fernandes para comentar o assunto. O advogado de Dualib e Curi, José Luiz Toloza Costa, informou que não discutiu o caso com os dois. "Eu os defendo apenas no processo da 6ª Vara Criminal Federal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha." Além do caso de suborno, a Procuradoria investiga suposto crime de evasão de divisas e sonegação fiscal. Diálogo entre Cilson Fischer e Paulo Angioni, da MSI, fala sobre transferência de dinheiro do Bradesco (em Nova York) para o Itaú (Nova York), o que irá atrasar pagamento dos direitos de imagem dos atletas. Angioni pergunta que dinheiro é esse e Fischer diz que é do meia Ricardinho (US$ 1,2 milhão). Fischer não foi localizados. Angioni disse em depoimento à Justiça que suas atividades se concentravam na gerência de futebol. Segundo a PF, aparentemente alguns jogadores recebiam parte do salário no Brasil e outra, maior, no exterior. Ricardinho nega que tenha recebido em bancos fora do país.
Jogo sujo A Policia Federal e os brilhantes jornalistas Juca Kfouri e Bob Fernandes fizeram ótimos trabalhos e confirmaram as relações promiscuas entre o Corinthians e a MSI. Quanto mais lavam dinheiro sujo no futebol e em outras áreas, mais sujeira aparece. Antonio Roque Citadini, conselheiro do Corinthians, que sempre foi contra essa parceria, afirmou no programa "Bate Bola", da ESPN Brasil, que há lavagem de dinheiro em todos os grandes clubes brasileiros. Esses deveriam se pronunciar.
Dirigente do Timão quer regulamentação de investimentos em clubes brasileiros
GLOBOESPORTE.COMEm São Paulo
O presidente do Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians, Antônio Roque Citadini, acredita que o problema envolvendo o clube e parceira MSI deve servir de exemplo no futebol brasileiro. O dirigente, ferrenho crítico do acordo, quer fechar o cerco sobre empresários e investidores.
- Podemos, usando o caso do Corinthians, passar a regulamentar a questão de investidores dentro dos clubes. Todos os times têm um jogador parcelado entre empresários. Está cheio de Berezovski por aí - afirma.
Citadini acha impossível o Timão perder o título brasileiro de 2005 por ter utilizado jogadores comprados pela MSI com dinheiro ilegal e sai em defesa da legitimidade da conquista alvinegra.
- O título foi ganho em campo. Também fomos vítimas daquele escândalo com o Edílson Pereira de Carvalho. Não cabe punição retroativa. Senão, tem que ser em todos os anos, e aí não teremos mais campeões no Brasil - completa.
"Não é possível pisar no lamaçal e sair limpo", diz Approbato
Rubens Approbato Machado, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e conselheiro do Corinthians, disse que o clube poderia ter previsto os problemas decorrentes da parceria com o MSI. Segundo ele, os dirigentes que aceitaram o acordo sabiam exatamente com quem estavam lidando. O Terra Magazine publicou no último sábado trechos do material da investigação, denominada Operação Perestroika pela Polícia Federal, sobre a parceria Corinthians/MSI.
"Não é possível pisar no lamaçal e querer sair limpo. Quem entrou nessa, entrou sabendo que era um lamaçal. Dizer agora que eles não sabiam, não dá. Podem falar para qualquer um, menos para mim, pois eu estava nas reuniões nas quais a parceria foi aprovada", declarou Approbato ao Terra Esportes TV.
Quando o presidente do Corinthians, Alberto Dualib, apareceu com a proposta de parceria com o fundo de investimentos, o advogado fez uma pesquisa na junta comercial de Londres, onde supostamente era localizada sua sede. Chegou à conclusão de que a empresa não existia.
"Na seqüência, peguei o nome que a gente tinha, Kiavash Joorabchian, e fiz o que qualquer pessoa de dois ou três anos faz hoje: uma busca na Internet. Veio um monte de nomes, inclusive o desse Boris (Berezovski, magnata russo por trás da parceria). Isso tirou qualquer apoio que podíamos ter dado àquilo", contou o conselheiro.
CITADINI: TEM UM MONTE DE "BORIZINHO" NO FUTEBOL DO BRASIL
O presidente do Cori (Conselho de Orientação do Corinthians), Antônio Roque Citadini, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta terça-feira, dia 11, que tem um monte de "Boris Berezovskyzinho" no futebol brasileiro (clique aqui para ouvir o áudio).
"O goleiro do Flamengo é da MSI, o Atlético Mineiro fez um monte de negócios com eles (MSI). Quando eu digo que tem um monte de Boris Berezovskyzinho por aí, eu estou dizendo que tem negócios a pipocar por tudo quanto é lado", disse Citadini.
Antônio Roque Citadini questionou também as transferências dos jogadores Dagoberto do Atlético Paranaense para o São Paulo e Rafael Sobes do Internacional de Porto Alegre para o Betis, da Espanha.
Citadini disse que a "tragédia" que o Corinthians vive começou na Inglaterra. "A Inglaterra é um país de bucaneiro: você chegou lá com dinheiro, você vira Sir. É essa a história da Inglaterra, não tem outra. E agora está sendo igual", disse Citadini.
Segundo Citadini, a parceria com a MSI "é a maior mancha na história do Corinthians". Ele disse que as providências para recuperar o clube já começaram a ser tomadas com o afastamento do presidente Alberto Dualib e a extinção da parceria.
Citadini disse que se Alberto Dualib for afastado em definitivo, o Conselho do Corinthians deve convocar uma nova eleição para eleger um presidente com mandato tampão.
Antônio Roque Citadini disse que vai à audiência pública na Câmara organizada pela deputada Lídice da Mata (PSB-BA) e vai falar sobre os "Borizinhos" que existem no futebol brasileiro.
Leia a íntegra da entrevista com Antônio Roque Citadini:
Paulo Henrique Amorim – Eu vou conversar com Antonio Roque Citadini, presidente do Cori (Conselho de Orientação), ligado ao Corinthians, evidentemente. Como vai, Citadini, tudo bem?
Antonio Roque Citadini – Tudo bom, sobrevivendo.
Paulo Henrique Amorim – Citadini, tem uma reportagem hoje no jornal Agora, ligado à Folha de S.Paulo, que diz que você garante que muitos outros times no Brasil tem um Boris. Você se refere, evidentemente, ao Boris Berezovski, o russo que é na verdade o dono do Corinthians, a gestão Dualib. O que você quer dizer com isso?
Antonio Roque Citadini – Paulo, primeiro: essa parceria é a nossa maior tragédia.
Paulo Henrique Amorim – Com o Corinthians.
Antonio Roque Citadini – Com o Corinthians. Essa parceria da MSI é a nossa maior mancha da nossa história. Nós fizemos uma parceria com um grupo de investidores predatórios que estão chegando no futebol. Você sabe, você fez uma boa matéria, uma bela matéria na Record.
Paulo Henrique Amorim – No Domingo Espetacular.
Antonio Roque Citadini – Exatamente, que mostrou bem o perfil desses novos investidores que vem do leste europeu, da ex-União Soviética. Eles procuram o futebol e infelizmente para todos nós eles chegaram ao Corinthians. Muitos resistiram, eu fui um deles, nós tivemos um grande número de pessoas que enfrentou essa discussão e tentou impedir, mas infelizmente, você sabe contratar jogador, a torcida, a mídia, todo mundo fica empolgado e ficaram empolgados com a chegada desses investidores. Agora, o que ocorre é o seguinte: o futebol brasileiro, e o Brasil é um país frágil para enfrentar ainda hoje esta questão desse tipo de investidor. Quando eu digo que é um país frágil, é porque nós primeiro temos clubes fracos. Qualquer US$ 1 milhão ou US$ 2 milhões aparece como sendo uma grande coisa. Essa gente, eles tem uma característica, Paulo: eles têm muito dinheiro e muitos problemas e, na verdade, ficar com eles significa que você pode até ficar com parte do dinheiro deles investido, mas você ficará com os problemas, que é o caso do Corinthians. Agora, o futebol brasileiro tem hoje, e foi por isso que eu disse que existe uma porção de Boris Berezovskyzinho por aí, é que em todos os clubes estão pipocando investidores que compram jogadores, alguns dos quais são fundo em paraísos fiscais, portanto, você não sabe de quem é e também não sabe de onde é o dinheiro, e esses jogadores são revendidos para a Europa numa operação que nem sempre o fisco tem controle dela.
Paulo Henrique Amorim – Você fez acusações importantes. Você disse, por exemplo, quem pagou a multa do Dagoberto? Foi o São Paulo ou o empresário Figer? Quem era o dono do Rafael Sobis, o Sondas ou o Internacional?
Antonio Roque Citadini – Na verdade, o próprio jornalista é que falou que foi o Figer. Eu disse (perguntei): Quem pagou a multa do Dagoberto? O jornalista disse: “Foi o Figer”. Eu falei: Pois então, aí é um caso típico de um investidor privado que você nem sabe que é ele. Porque na verdade, ele não aparece no documento, na CBF, e todos esses investidores – não é só o caso desse – tem um documento meio em off com os clubes. É verdade, é sério.
Paulo Henrique Amorim – Em off é ótimo.
Antonio Roque Citadini – É um documento meio em off. Quer dizer, é um documento que você não sabe. Porque isso não tem controle nenhum, Paulo. Então, você pode dizer amanhã: “Não, esse jogador é 20% da empresa X. Ou é 10%”. Isso está só lá registrado no clube. Agora, no caso do Rafael Sobis, quem disse fui eu. Até porque o Internacional é muito chorão. Eles querem tirar o nosso título de 2005 e eles são muito chorões. E na verdade o Rafael Sobis, uma parte dele é de um supermercado. E não me consta que na verdade supermercado, eu não sei como é contabilizado isso, se entra como venda de leite, de produto de limpeza ou de banana. Agora estão tentando colocar em discussão o nosso título de 2005. primeiro detalhe: não dá para fazer uma punição retroativa. Aquilo não era crime lá, não é crime agora, você ter feito uma parceria ruim – é o nosso caso, eu não estou defendendo a MSI, a nossa parceria é de todo ruim –, mas você não pode criar uma punição retroativa. Agora, você tem que aproveitar essa oportunidade. Aproveitar para dizer: nós precisamos regulamentar a atividade dessas empresas que fazem parcerias com os clubes ou com os jogadores. Ontem eu estive na posse do Romeu Tuma Jr
Paulo Henrique Amorim –Em Brasília. Corintiano.
Antonio Roque Citadini – Corintiano, conselheiro, e foi um dos que mais lutou contra essa parceria.
Paulo Henrique Amorim – Contra o MSI, é verdade.
Antonio Roque Citadini – Contra o MSI. Eu tenho certeza que ele poderá ajudar muito em ser tratado de uma outra maneira essa entrada desses investidores.
Paulo Henrique Amorim – Nós estamos tratando aí de um crime que é lavagem de dinheiro, que é especialidade dele.
Antonio Roque Citadini – Pois é. E veja só, porque a Fifa hoje tem uma preocupação básica: os clubes não podem ser dirigidos por empresas em paraísos fiscais sem dono conhecido. Essa tragédia que nós estamos vivendo, que o Corinthians está vivendo, começou na Inglaterra.
Paulo Henrique Amorim – É verdade. No Chelsea.
Antonio Roque Citadini – É. A Inglaterra é o seguinte: ela é um país de “bucaneiro”. Você chegou lá com dinheiro, você vira Sir. É essa a história da Inglaterra, não tem outra. E agora está sendo igual. O único lugar onde eles chegam – esses oligarcas russos – e entram lá é na Inglaterra. Se abusar, eles alugam um quarto no Palácio de Buckingham porque infelizmente na Inglaterra, a visão deles é essa. Chegou com dinheiro e pronto.
Paulo Henrique Amorim – Agora, deixa eu te perguntar uma coisa. Você sabe que a Comissão de Esportes da Câmara, da deputada Lídice da Mata, que eu entrevistei ontem aqui...
Antonio Roque Citadini – Eu vi.
Paulo Henrique Amorim – Ela quer levar o Dualib lá
Antonio Roque Citadini – E eu vou estar lá na quinta-feira.
Paulo Henrique Amorim – Você vai lá?
Antonio Roque Citadini – Vou eu, vai o Rubens Approbato, creio que o Romeu também. Tem mais alguém que agora eu não estou lembrando.
Paulo Henrique Amorim – Será que o Dualib vai?
Antonio Roque Citadini – Ah, eu não creio. Qual é o grande problema da parceria com a MSI e que você colocou bem naquela matéria? A parceria do MSI no Corinthians tem uma questão central. É o seguinte: o Corinthians tem que mentir. Ele não pode contar que o Boris está no negócio. Esse é o eixo.
Paulo Henrique Amorim – Esse é que é o ponto.
Antonio Roque Citadini – E a partir daí você vai começando a ter uma mentira atrás da outra. Como aquele drama de Shakespeare, o Macbeth. Você tem que fazer um delito por dia para ir tocando a vida.
Paulo Henrique Amorim – E como é que vocês do Corinthians vão se livrar desse imbróglio?
Antonio Roque Citadini – Bom, primeiro nós já temos várias medidas tomadas no bom caminho, no caminho de consertar. Primeiro: o presidente está afastado. Está com processo de impedimento que deve nos próximos quinze dias ser convocado o conselho para um julgamento definitivo.
Paulo Henrique Amorim – Se for afastado o que acontece?
Antonio Roque Citadini – Se for definitivo, o clube fará uma assembléia geral e convocará eleição para um mandato tampão. A segunda coisa é a seguinte: nós estamos pagando um preço duríssimo com isso. Temos um processo na Justiça Federal, que você, sabe, onde estão denunciados todos os dirigentes do Corinthians. Temos ainda essa investigação da Polícia Federal que não se completou, mas que deve se completar.
Paulo Henrique Amorim – Mas agora entrou o Ministério Público Estadual.
Antonio Roque Citadini – Pois é, também. Eu ia dizer, a terceira coisa. Além do Federal, temos o Ministério Público Estadual. Quer dizer, o clube está sofrendo bem isso aí. Agora, nós acabamos com a parceria, foi afastada a direção. Agora, nós vamos ficar com o ônus, Paulo Henrique, porque você sabe que esse tipo de gente quando eles saem, eles deixam a terra arrasada. E nós temos, por exemplo, que pagar uma condenação da FIFA, nós temos que pagar oito milhões de euros naquela compra do Nilmar, que foi uma loucura que aquele Kia fez. Você sabe que o Kia, infelizmente para o Brasil, era tratado aqui como se ele fosse maginata. Ele era um testa de ferro, um ator de negócios.
Paulo Henrique Amorim – Filho do sócio do Berezovisk, nada mais do que isso...
Antonio Roque Citadini – Aqui ele ia no camarote lá da Bhrama, era celebridade. Nós, vou falar uma verdade, fico orgulhoso do meu Corinthians de ter tanta gente que ajudou a resistir, porque outros clubes não teriam. Lá no Rio, Paulo Henrique, no seu Rio, no nosso grande Rio, eu adoro o Rio...
Paulo Henrique Amorim – Eu sei que lá no Rio você é Fluminense.
Antonio Roque Citadini – Não, não sou... Eu sou Corinthians lá também.
Paulo Henrique Amorim – Ah! Você é Corinthians até contra a Seleção Brasileira.
Antonio Roque Citadini – Olha, se abusar, sim! (risos) Eu sofri para não torcer para a Seleção da Argentina porque estava o Tévez. Deixa eu te falar, no Rio a diretoria do Flamengo botou tapete vermelho. Inclusive eles tem jogador lá da MSI, viu? O goleiro deles é um goleiro da MSI.
Paulo Henrique Amorim – Do Flamengo?
Antonio Roque Citadini – É, o Bruno. Esse Atlético Mineiro fez um monte de negócios com a MSI. Quando eu falei que tem um monte de Boris Berezoviskzinho por aí eu to dizendo que tem negócios a pipocar para tudo o que é lado.
Paulo Henrique Amorim – Você vai dizer isso lá na quinta-feira?
Antonio Roque Citadini – Vou. O que eu estou falando para você, eu entro todo dia na sua Conversa Afiada, aliás eu peguei para o meu blog outro dia a Conversa Afiada...
Paulo Henrique Amorim – Leva... Leva e diz que é teu. Como dizia o Chico Anísio, pega e diz que é tua.
Antonio Roque Citadini – Eu digo que é teu, mas eu faço uma discussão “braba” lá.
Paulo Henrique Amorim – Maravilha, é sempre um prazer falar com você, Citadini.
Antonio Roque Citadini – Um grande abraço. Falou, tchau.
CITADINI: TEM UM MONTE DE "BORIZINHO" NO FUTEBOL BRASIL
O presidente do Cori (Conselho de Orientação do Corinthians), Antônio Roque Citadini, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta terça-feira, dia 11, que tem um monte de "Boris Berezovskyzinho" no futebol brasileiro (aguarde o áudio).
"O goleiro do Flamengo é da MSI, o Atlético Mineiro fez um monte de negócios com eles (MSI). Quando eu digo que tem um monte de Boris Berezovskyzinho por aí, eu estou dizendo que tem negócios a pipocar por tudo quanto é lado", disse Citadini.
Antônio Roque Citadini questionou também as transferências dos jogadores Dagoberto do Atlético Paranaense para o São Paulo e Rafael Sobes do Internacional de Porto Alegre para o Betis, da Espanha.
Citadini disse que a "tragédia" que o Corinthians vive começou na Inglaterra. "A Inglaterra é um país de bucaneiro: você chegou lá com dinheiro, você vira Sir. É essa a história da Inglaterra, não tem outra. E agora está sendo igual", disse Citadini.
Segundo Citadini, a parceria com a MSI "é a maior mancha na história do Corinthians". Ele disse que as providências para recuperar o clube já começaram a ser tomadas com o afastamento do presidente Alberto Dualib e a extinção da parceria.
Citadini disse que se Alberto Dualib for afastado em definitivo, o Conselho do Corinthians deve convocar uma nova eleição para eleger um presidente com mandato tampão.
Antônio Roque Citadini disse que vai à audiência pública na Câmara organizada pela deputada Lídice da Mata (PSB-BA) e vai falar sobre os "Borizinhos" que existem no futebol brasileiro.
Aguarde a íntegra da entrevista com Antônio Roque Citadini.
Terça, 11 de setembro de 2007, 09h02 Bob Fernandes
Rogério Lorenzoni/Redação Terra
O dirigente corintiano Roque Citadini, que sempre foi contrário à parceria do clube com o fundo MSI Presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, presidente do Conselho de Orientação Fiscal do Corinthians (Cori), Antonio Roque Citadini, ex-vice-presidente de futebol do Corinthians, foi dos primeiros dirigentes do clube a se posicionar com firmeza contra a parceria com a MSI de Boris Berezovski/Kia Joorabichian.
Nesta conversa com Terra Magazine, Citadini reconhece que o caso é "a maior desgraça da nossa história, a maior mancha do Corinthians nesses quase 100 anos, uma tragédia completa", mas não se limita a defender. Ataca, de maneira surpreendente e desabrida. Rasga a fantasia do futebol brasileiro.
- Nao há dúvida alguma de que o futebol brasileiro é uma grande lavanderia (...) Em quase todos os times há jogadores de investidores e com operações dessa mesma forma.
Como se fosse pouco, Roque Citadini mira também nos líderes do atual Campeonato Brasileiro:
- Diria e digo. Todos eles (os primeiros colocados no Campeonato Brasileiro) têm jogadores na mesma situação.
A seguir, a íntegra da entrevista.
Terra Magazine - Diante desse vasto noticiário sobre o seu Corinthians, o que você diria de saída? Roque Citadini - O caso da MSI é a maior desgraça da nossa história, a maior mancha do Corinthians nesses quase 100 anos de história. Uma tragédia completa porque fizemos uma parceria com um grupo de origem duvidosa, com uma gestão desastrosa dessa parceria que desorganizou completamente o clube, além de ter sujado nossa imagem no mundo inteiro.
O que você diz em relação ao título de 2005, que já há quem conteste? Foi inteiramente legítimo, foi conquistado pelos jogadores dentro de campo. O clube foi vítima e não se valeu de nenhum expediente escuso. Não apareceu ninguém com nada que possa empanar o título de 2005.
Como sair dessa crise com soluções? Primeiro, não pode ter uma punição retroativa. Isso não existe no direito penal. Segundo, o Corinthians já tá pagando o preço de ter feito a escolha errada. Teve a diretoria afastada, processo na justiça federal, os principais dirigentes estão enquadrados com denúncias recebidas na Justiça, além das punições indiretas: dívidas como a da Fifa, de oito milhões de euros, no caso Nilmar.
E punições? A punição retroativa é uma aberração juridica, sem precedentes. Primeiro, teria que ser pra todos os clubes que tiveram jogadores nessas condições. Agora, o que eu defendo é que se aproveite essa crise para se fazer uma profunda reforma no nosso futebol em relação aos investidores.
O que você quer dizer com isso e não está dizendo? Eu digo: hoje, quase todos os clubes têm investidores que são proprietários em parte ou no todo dos direitos dos jogadores. Estão vendendo jogadores pra Europa e estes investidores estão recebendo dinheiro, sem que haja controle sobre os investidores e nem se saiba a origem do dinheiro...
O que você está dizendo é que o futebol brasileiro é hoje uma grande lavanderia? Não há dúvida de que o futebol está infiltrado por investidores, em boa parte sem que exista nenhuma rede de segurança pros clubes.
Mas é uma lavanderia? Nao há dúvida alguma de que o futebol brasileiro é uma grande lavanderia.
Como funciona? Muitas vezes compram jogadores por um preço, revendem por valores altíssimos e não há nenhum controle desse dinheiro. Primeiro, não há controle esportivo por parte das federações. Não tem contratos econômicos dessas vendas. Segundo, não há controle fiscal porque os investidores recebem o dinheiro, e pronto. Na verdade, isso está ocorrendo principalmente a partir de jogadores das categorias de base. Os investidores compram, botam nos clubes, revendem pra Europa e recebem valores muito superiores, quase sempre.
Você saberia dizer em quais times isso acontece? Em quase todos eles há jogadores de investidores e com operações dessa mesma forma.
Você diria, ou diz, que essa situação, que se pode caracterizar como lavanderia, está presente nos times que estão nos primeiros lugares no atual Campeonato Brasileiro? Diria e digo. Todos eles têm jogadores na mesma situação.
Uma situação obscura e cheia de buracos? Obscura, cheia de buracos, da mesma forma que a MSI fez no Corinthians. A própria MSI tem o goleiro do Flamengo, o Bruno, e fez negócio com Atlético Mineiro nos mesmos termos. Precisamos aproveitar essa crise do Corinthians para regularmentar investidores individuais nos clubes. E, segundo, proibir investidores que façam negócios através de paraísos fiscais, com dinheiro de origem não identifica.
O senhor cita o Internacional de Porto Alegre também, ou estou enganado? Falo no Internacional porque é o mais chorão. O Rafael Sobis era do Inter, mas era do investidor. E não era o único, provavelmente.
A propósito de tudo isso, os documentos do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) sobre a origem de Berezovski e da MSI, nós encontramos no seu blog, está lá há algum tempo. No meu site eu tenho notícias só da parceria do Corinthians, e tenho também um blog só com notícias soviéticas, é o Soviet News. Na verdade, sobre investidores soviéticos que estão por aí. Pra não falar de ucranianos, georgianos... eu digo soviéticos. Pra mim é tudo soviético. Falo de toda aquela riqueza deles.
O projeto de construção do estádio da Federação Paulista de Futebol será repassado a Corinthians. Em reunião da diretoria da entidade,realizada na manhã de ontem ,aprovou-se pro unanimidade o pedido protocolado pelo clube na semana passada. O Timão terá prazo,ainda indefinido, para montar comissão que se responsabilize pelo andamento do negócio.A obra estimada em US 100 minhões ,tem capacidade para 65 mil pessoas e faz parte do projeto que o governo brasileiro desenvolve para organizar a Copa de 2014. De acordo com dirigentes que acompanharam o encontro ontem,a FPF já captou boa parte dos investidores e empreiteiros.”A idéia é que o projeto ande naturalmente ,como foi pensado no inicio”. Explicou o conselheiro corintiano Fran Papauordanou. “O Corinthians não vai precisar se preocupar com nada, só entra com a marca”. Até mesmo o representante do São Paulo ,Rogério Cabloco, votou favoralvemente ao acordo com o Corinthians. O posicionamento do são-paulino chegou a surpreender, uma vez que alguns cartolas imaginam um confronto de bastidores entr Timão e Tricolor. Há duas semans ,a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ,juntamente com a prefeitura da capital indicaram o Morumbi como palco da cidade para o Mundial.Com esse projeto, o Corinthians pretende fazer frente ao rival e impor sua arena como local de aberturada Copa Do Mundo no Brasil.
FPF aprova arena corinthiana
O projeto de construção do estádio da Federação Paulista de Futebol será repassado a Corinthians. Em reunião da diretoria da entidade,realizada na manhã de ontem ,aprovou-se pro unanimidade o pedido protocolado pelo clube na semana passada. O Timão terá prazo,ainda indefinido, para montar comissão que se responsabilize pelo andamento do negócio.A obra estimada em US 100 minhões ,tem capacidade para 65 mil pessoas e faz parte do projeto que o governo brasileiro desenvolve para organizar a Copa de 2014. De acordo com dirigentes que acompanharam o encontro ontem,a FPF já captou boa parte dos investidores e empreiteiros.”A idéia é que o projeto ande naturalmente ,como foi pensado no inicio”. Explicou o conselheiro corintiano Fran Papauordanou. “O Corinthians não vai precisar se preocupar com nada, só entra com a marca”. Até mesmo o representante do São Paulo ,Rogério Cabloco, votou favoralvemente ao acordo com o Corinthians. O posicionamento do são-paulino chegou a surpreender, uma vez que alguns cartolas imaginam um confronto de bastidores entr Timão e Tricolor. Há duas semans ,a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ,juntamente com a prefeitura da capital indicaram o Morumbi como palco da cidade para o Mundial.Com esse projeto, o Corinthians pretende fazer frente ao rival e impor sua arena como local de aberturada Copa Do Mundo no Brasil.
Citadini garante que muitos times têm um Boris SÃO PAULO E INTER TAMBÉM TERIAM INVESTIDORES SECRETOS
PARA ELE, A PARCERIA COM A MSI É A MAIOR MANCHA NA HISTÓRIA DO TIMÃO, QUE TEVE MUITOS PREJUÍZOS, ALÉM DE CREDIBILIDADE E IMAGEM AFETADAS
Antonio Roque Citadini, presidente do Cori (Conselho de Orientação), não vê como as investigações sobre a pareceria MSI/Corinthians possam colocar em xeque o título brasileiro de 2005, em que 13 partidas foram repetidas quando se descobriu que o árbitro Edílson Pereira de Carvalho ajudava a fabricar resultados a pedido de donos de casas de apostas. "Se formos colocar títulos de clubes que têm investidores sob suspeita não vai sobrar nada. Muitos clubes têm investidores não-revelados. Garanto que existe um monte de "Borizinhos" por aí", afirmou, fazendo uma comparação com o magnata russo Boris Beresovski, apontado agora como um dos principais investidores da MSI. Citadini cita o São Paulo e o Inter como clubes que também têm investidores em seu futebol profissional. "Quem é que pagou a multa do Dagoberto? O São Paulo ou o Figer [empresário]? O Inter, que fica chorando a perda daquele título de 2005, tem o grupo Sondas como investidor. Eles eram donos do Rafael Sobis. E esse grupo Sondas também é investidor do São Paulo. Tem jogadores lá. O problema não é só nosso", acusou. Citadini, desde o primeiro instante, foi contra a parceria com a MSI, que o afastou da direção de futebol do clube. Nunca confiou nos investidores. Ironicamente, dizia que não estaria na foto com pessoas que não tinham endereço conhecido. Hoje, critica o que aconteceu. "É a maior mancha na história do clube. Vivemos um momento dramático em que o clube, que é vítima, sofre as conseqüências dessa parceria. Perdemos credibilidade e tivemos a nossa imagem arranhada. Tudo isso é muito triste. Uma parcela do Conselho embarcou nessa história da parceria movido pela boa-fé, mas há um núcleo central que sabia de tudo o que poderia acontecer e de tudo o que aconteceu. E se locupletou com tudo isso o que aconteceu com o Corinthians. Isso é o pior", afirmou o dirigente corintiano. (Luís Augusto Símon)
Lanço a discussão porque ela é o tema da coluna de Juca Kfouri na Folha nesta segunda-feira. E ocupou boa parte do noticiário.
Neste fim de semana, Juca revelou, ao lado do jornalista Bob Fernandes, mais detalhes picantes sobre a lama que envolveu a parceria corintiana com a MSI, denunciada por lavagem de dinheiro.
Um clube deve perder pontos por ter usado dinheiro sujo em contratações de jogador? Sei não...
Vasculhei o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (clique aqui) e não encontrei nada referente a punição para times que tenham cometido crimes (teoricamente) fora da esfera esportiva -- lavagem de dinheiro, por exemplo, como é acusado o Corinthians.
O tema é polêmico. Juca defende a tese de que, se um clube usa dinheiro sujo para comprar jogadores, está agindo de maneira desleal com os rivais que trabalharam dentro da lei. E que o futebol (também) deve ter tolerância zero com isso.
A tese é boa e, colocada dessa forma, fica difícil discordar... Só não vejo é praticidade na idéia.
Primeiro, a paquidérmica justiça brasileira ainda não condenou os dirigentes do Corinthians por lavagem de dinheiro. Há elementos de sobra para que isso aconteça, mas por enquanto os cartolas são réus, acusados.
Seria estranho o tribunal esportivo punir um clube antes de seus dirigentes serem devidamente condenados pelo suposto crime (além, é claro, de isso não constar na legislação esportiva)?
Pode-se argumentar que o Congresso Nacional faz seus julgamentos políticos antes que vossas excelências sejam condenadas ou absolvidas na justiça. E que, para lembrar do ex-juiz Edílson Pereira Carvalho, ele também foi punido (afastado definitivamente do futebol) na esfera esportiva antes de ser julgado pela justiça (se é que um dia será julgado mesmo...). Tribunais esportivos podem agir assim. Desde que entendam que haja elementos para tal.
A questão é complicada e como toda boa polêmica tem vários lados.
A Juventus perdeu o título italiano e foi rebaixada porque se comprovou que ela participou de manipulação de resultados. Houve interferência direta nos resultados de jogos. Comprar jogador com dinheiro sujo é interferência direta nos resultados? Discussão para mais de metro.
Eu não acho que vá acontecer alguma coisa, deixo bem claro. Falamos aqui no campo das hipóteses: o Corinthians deveria perder o título de 2005, se forem confirmadas as acusações de lavagem de dinheiro? A pergunta é para vocês.
Ex-dirigente confirma que Boris Berezovski mandava
Cosme Rímoli, cosme.rimoli@grupoestado.com.br
Nas escutas feitas pela Polícia Federal, o presidente Alberto Dualib insiste para ninguém confirmar o óbvio - que Boris Berezovski era o dono do dinheiro da MSI e que Kia Joorabchian não passava de um mero laranja. Não queria que ficasse caracterizada a participação do russo de jeito nenhum.
Mas o ex-vice de futebol Rubens Gomes acabou com a farsa. Num diálogo captado pela PF, ele afirma ter uma carta de Berezovski confirmando que investia no clube. E ontem confirmou isso ao JT.
'Eu tenho uma cópia de uma carta do Boris que garante o investimento de US$ 50 milhões (R$ 100 milhões) no Corinthians. Me deram essa cópia e eu guardei. Sou um homem considerado bruto, mas sou transparente, não minto. Essa carta é do Berezovski mesmo.'
A postura de Rubão (apelido que ganhou por causa do porte físico avantajado) se choca com a de Dualib. A PF registra as palavras do presidente ditas depois de um desmentido (que ninguém da diretoria corintiana levou a sério) da MSI. No desmentido colocado no site do fundo de investimento havia a garantia de que Berezovski não tinha nada a ver com a MSI. Dualib dá a ordem de que 'ninguém mais pode falar em Boris. O Boris acabou, tá fora. E se ele (o ex-vice de futebol Andrés Sanchez) falar que o Boris é (investidor) f... com tudo'.
A confirmação de Rubão caracteriza o que a Polícia Federal quer: a certeza da lavagem de dinheiro do bilionário russo que é caçado pela Interpol.
'Essa é mais uma confirmação de quanto o presidente Dualib mentiu. Uma carta do Berezovski é indiscutível. Dualib trouxe esse tipo de gente para o Corinthians e agora tenta disfarçar, mentir. Essa tese acabou faz tempo', afirma o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior.
A Polícia Federal registra um diálogo em que Rubão sugere a Duprat que leve Berezovski para conversar com Lula - outra evidência de quanto o russo estava envolvido com a MSI. 'Foi quando o Dualib estava em Londres e o presidente Lula também. Houve um amistoso entre Brasil e Argentina. Já que o Boris não podia entrar no Brasil, era levá-lo ao Lula em Londres.'
Rubão só não confirmou outro diálogo que a Polícia Federal levantou. No dia 28 de maio, ele pediu para o empresário Renato Duprat conversar com o deputado estadual Vicente Cândido. Ele queria um emprego em seu gabinete - trabalhou quatro anos no gabinete de Tuminha. 'Desde o dia 14 de março o Rubão deixou de trabalhar comigo', diz Romeu Tuma Júnior.
'Não me lembro dessa conversa. Eu fui falar pessoalmente com o Vicente. Sou do PT há 15 anos. E ele me arrumou o emprego. Hoje eu sou seu assessor parlamentar. Não devo nada ao Duprat', diz Rubão.
Vicente Cândido foi quem tentou a todo custo dar asilo político a Boris Berezovski no Brasil.
DUAS VERSÕES SOBRE BEREZOVSKI
'Sou tido como bruto, mas não minto. A carta é do Boris' RUBENS GOMES, O RUBÃO, EX-VICE DE FUTEBOL DO CORINTHIANS
'Ninguém mais pode falar em Boris. O Boris acabou, tá fora' ALBERTO DUALIB, PRESIDENTE AFASTADO DO CORINTHIANS
Operação Perestroika feita pela Polícia Federal
03/12/2006, às11h36, diálogo entre Nesi Curi , vice, e Renato Duprat, intermediador da parceria Nesi pergunta como está a imagem do Corinthians para o Boris (Berezovski), depois de todas as mentiras que o Kia contou. Renato diz que Boris vai continuar a parceria, mas que ele está mais interessado nos atletas do Corinthians.
06/12/2006, às 21h10 , recado de um certo Frank Diz que precisa de US$ 110 mil (R$ 220 mil) para pagamentos de autoridades e comenta que nunca teve um problema desses na empresa antes.
06/12/2006, às 9h32, diálogo de Duprat e Nesi ...Renato diz que está tentando levar dinheiro para o clube e que só será liberado a partir do dia 15. Nesi pergunta se virão os valores atrasados. Renato diz que primeiro será enviado um valor para cobrir o déficit dos investidores e depois manda 5 milhões (não diz se é real ou dólar) e depois mais 10.
06/12/2006, às 18h11, diálogo entre Dualib e Duprat, de Londres Dualib diz que vai mandar um esboço da nova folha de pagamento que está em torno de 2.200.000 (não diz se é real ou dólar), com encargos. Renato diz que Boris aceitou discutir a compra das ações dos investidores da MSI. Renato diz que a PF e o BC estão recebendo todas as informações da transação.
20/12/2006, às 10h34, fala de Fischer, controller da parceria entre Corinthians e MSI Fischer fala que os 209 mil da Nike não podem ser depositados na conta do Corinthians, que está bloqueada por causa de uma ação na Justiça. Fala para Renato Duprat para conversar com Dualib para depositar na conta da MSI.
28/12/2006, 12h14, diálogo de Duprat e Rubão, conselheiro do clube Duprat fala a homem não Identificado que os 65 milhões da parceria entraram pelo Banco Bradesco e que existem os comprovantes. Que não sabe por que de terem digitado 75 milhões conforme declaração do Dualib. Diz que 48/49 milhões entraram no Corinthians e que a diferença ficou na MSI.
Approbato encaminha pedido de impeachment de Dualib
Presidente do STJD e conselheiro do Corinthians quer a saída imediata do dirigente licenciado
Cosme Rímoli - Jornal da Tarde
Approbato diz que time não perderá título
Paulo Pinto/AE - 7/8/2007
Approbato diz que time não perderá título SÃO PAULO - Começou o processo de impeachment do presidente Alberto Dualib. Quem o iniciou foi o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e atual presidente do STJD, Rubens Approbato Machado. "Não dá mais para ficar sem fazer nada depois do vazamento das conversas do Dualib. Ele sujou demais o nome do Corinthians. Por respeito ao clube, estou pedindo oficialmente a sua saída definitiva, o seu impeachment. Já redigi um documento e o passei para o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Senger, e para o presidente do Conselho de Orientação, Roque Citadini. O Dualib não tem mais moral para representar o Corinthians", diz Approbato.
O processo de impeachment seguirá o seguinte caminho: "Eu sou conselheiro vitalício e passei o documento para o Senger e o Citadini. Os dois já me disseram que aprovaram a idéia e vão convocar uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo. E aí será convocada uma assembléia com os sócios para decretar o fim de Dualib e de Nesi Curi no Corinthians."
O ex-presidente da OAB é amigo de Dualib há mais de quatro décadas. Já estiveram do mesmo lado no Corinthians. E foi usando essa amizade que Approbato procurou o presidente afastado para fazer um pedido.
"Disse para ele que fizesse o que todos querem: facilite a vida do Corinthians e renuncie. Só que ele não quer de jeito nenhum. Disse que foi eleito e vai se defender no Conselho Deliberativo, que está terminando sua defesa com seus advogados e vai mostrá-la para os conselheiros. Está no direito dele, mas eu não concordo. O nome do Corinthians está sendo exposto como nunca foi em toda a sua história. Estamos vivendo uma situação lamentável."
Approbato diz que não foi por falta de aviso que Dualib mergulhou o Corinthians no caos."Parece que eu tive uma premonição quando foi proposta a parceria com um fundo de investimento que ninguém sabia de onde vinha e quem eram as pessoas que o comandavam. Ou até pior: o Dualib sabia, mas escondia. Não queria deixar claro que estava trazendo gente da pior espécie para o Corinthians. Todos sabiam que o Berezovski era caçado pela Interpol acusado de lavagem de dinheiro. Quando descobri, perguntei para o Dualib: ‘Você está abrindo o clube para pessoas acusadas de pertencerem à Máfia russa?’ Ele não me respondeu."
Título não será cassado
Falando com a autoridade de quem é o presidente do STJD, Rubens Approbato garante que não há a menor chance de o Corinthians perder o título brasileiro de 2005. E muito menos ser rebaixado para a Série B.
"Graças a Deus, o Renato Duprat não aceitou a proposta de um cidadão que se propunha a ajudar o Corinthians a arrumar resultados. Foi a única coisa boa que o Duprat fez pelo clube. Se ele aceita, haveria a chance de o Corinthians perder o título brasileiro e ainda ser rebaixado. Dessa pelo menos, o Corinthians escapou. Do resto, de passar tanta vergonha, não. Por causa do Alberto Dualib."
Diretrizes de novo documento evitarão que dirigentes se perpetuem no poder
Texto afirma que próximo presidente cumprirá mandato tampão, sem reeleição e que "conselheiro biônico" será extinto
EDUARDO ARRUDA EDUARDO OHATA DA REPORTAGEM LOCAL
A comissão formada por conselheiros do Corinthians prepara uma alteração estatutária para evitar o surgimento de um novo Alberto Dualib, que ficou no poder durante 14 anos e foi afastado, suspeito de ter cometido irregularidades em sua gestão e é réu em processo na Justiça por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O novo estatuto, que deve ser submetido à apreciação do Conselho Deliberativo até o final deste ano, prevê apenas um mandato para o próximo presidente, sem direito a reeleição. A partir de 1944, o clube, que fez 97 anos no último dia 1º, foi conduzido por apenas quatro presidentes durante 52 anos. Dualib comandou o Parque São Jorge entre 1993 e 2007. Vicente Matheus acumulou 15 anos no cargo (1959 a 1961, 1972 a 1981 e 1987 a 1991). Durante outros 13 anos, Alfredo Ignácio Trindade reinou no clube (1944 a 1946, 1948 a 1959). Outro cardeal corintiano, Wadih Helu, com influência até hoje nas decisões do clube, dirigiu o alvinegro por 10 anos (1961 a 1971). "O formato do novo estatuto serve para evitar a situação atual, na qual um dirigente se perpetua no poder", apontou Alexandre Husni, presidente da comissão do novo estatuto. ""Se o Dualib sair, quem o substituir ficará no cargo até o fim do mandato atual, até o final de 2008. Será um mandato tampão. E ele não poderá se reeleger. A gestão desse presidente servirá para devolver de alguma forma a estabilidade ao clube, mas só isso", explicou. A impossibilidade de reeleição até no mandato tampão, sugerida pela comissão, já gera discussão entre os conselheiros. Isso afugentaria os prováveis candidatos, que não concorreriam para ficar apenas um ano, ou até menos, no cargo. Husni acrescenta que, segundo o estatuto atualmente em vigor no clube, no caso de a presidência ficar vaga, o novo presidente será eleito pelo Conselho, a não ser que faltem seis meses para uma nova eleição. Nesse cenário, assumiriam os vices atuais -hoje o presidente em exercício é Clodomil Orsi. Assim como ocorre hoje, o presidente terá direito a um mandato de três anos. Um outro sustentáculo de Dualib no poder, a indicação de cem conselheiros, também será extinta. O quadro é composto por cerca de 400 conselheiros -200 vitalícios e 200 quadrienais, sendo metade deles indicados pelo presidente. Pelo novo estatuto, 50% dos conselheiros serão eleitos pelos sócios. Antes, a chapa vencedora fazia todas as cadeiras no Conselho. Agora, as nomeações serão proporcionais à porcentagem obtida na votação. Ou seja, se uma chapa receber 60% dos votos, fará 60% das cadeiras. Os conselheiros com mandato provisório também não ficarão quatro anos no cargo, mas três, assim como a diretoria.
Conselheiro do Corinthians, o presidente do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), Rubens Approbatto, defendeu uma alteração na legislação desportiva para incluir a previsão de punição para casos de corrupção dentro dos clubes. Assim, fatos como os revelados por grampos da PF em dirigentes corintianos, com suspeita de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, poderiam levar o clube a sofrer penas desportivas. "Não tem nenhuma previsão hoje na legislação [de punição ao clube]. Até gostaria que tivesse", disse ele, descartando processo contra o Corinthians. "Acho que a comissão para reforma do código tem prever essa situação." A comissão é formada por juristas que reformam, de tempos em tempos, a legislação esportiva. Por enquanto, Approbatto pediu ao procurador-geral do STJD, Paulo Schmmit, que analise as reportagens sobre os grampos das Polícia Federal. Seu objetivo é buscar indícios de que houve infrações aos artigos do capítulo de corrupção, o que geraria punição só aos cartolas. Além de falar na esfera esportiva, Approbato tem atuação no Conselho Deliberativo do Corinthians. Ontem, voltou a pedir para que seja apressado o processo de impeachment de Alberto Dualib para essa semana. "Acho que já passou da hora", disse ele, que encaminhou pedido à presidência do Conselho.
Ao tomar posse ontem como secretário nacional de Justiça, o delegado de Polícia Civil Romeu Tuma Júnior anunciou que o órgão vai trabalhar para que exista maior controle sobre as operações financeiras relacionadas a esportes de massa, com destaque para o futebol. Tuma Júnior, que é conselheiro do Corinthians e iniciou investigação contra a parceria do clube com a MSI, disse que a "lavagem de dinheiro, por meio dos esportes de massa, surge como nova modalidade criminosa transacional, estando a merecer profunda reflexão e enérgica ação por parte das instituições". Ele afirmou ser necessário um maior controle do futebol. Citou o Corinthians como um caso público de supostas irregularidades praticadas na seara da lavagem de dinheiro. Dirigentes do clube e da parceira MSI são réus em processo na Justiça Federal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. "Temos um caso público, que é o Corinthians. A gente sabe que esse tem se tornado um novo caminho para a ação do crime organizado. O futebol hoje não tem muitos parâmetros", declarou. Deu como exemplo a venda de jogadores, transações que não têm preços de referência e muitas vezes são pagas em operações financeiras no exterior. "A gente precisa ter um controle maior. Vamos ter uma ação muito pesada nessa área."
Federação aprova ceder estádio para Timão após Copa!!!
Por unanimidade, todos os clubes filiados à Federação Paulista de Futebol aprovaram, nesta segunda-feira, repassar para o Corinthains um futuro estádio a ser construído na cidade, por ocasião da Copa de 2014. Por Chico Lang
Por unanimidade, todos os clubes filiados à Federação Paulista de Futebol aprovaram, nesta segunda-feira, repassar para o Corinthians um futuro estádio a ser construído na cidade, por ocasião da Copa de 2014, provavelmente no Brasil. Na verdade, esse seria o "Plano B". A prioridade é a reforma do Morumbi. A FPF já tem a garantia de investidores, intermediados pela Fifa, mas ainda procura conciliar as duas coisas: uma Arena nova e o Cícero Pompeu de Toledo reformado.
"Fiquei feliz com a decisão. Serve para abrandar um pouco a crise vivida pelo clube", disse Fran Papajordano, conselheiro corintiano, "pai" da arrojada iniciativa alvinegra. "O Corinthians seria o administrador do estádio por um certo tempo ou em definitivo, isso ainda será estudado. Inclusive o São Paulo assinou embaixo. Todos querem ver o Timão atuando em sua casa mesmo", falou o dirigente e empresário. A notícia foi divulgada na véspera com excluvidade pelo site chicolang.com.br.
Corinthians e FPF contra o Morumbi na Copa do Mundo. Apenas o interesse de um deles tem explicação.
O presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, deseja construir uma arena para a Copa do Mundo do Brasil, em 2014.
Ele tentou, como pôde, evitar a escolha do Morumbi.
Não tem lógica.
As federações deveriam trabalhar a favor de seus filiados, mas como isso, em regra, não acontece, até aqui, não há novidades.
Sem sucesso, Del Nero ainda não desistiu. Mudou os planos. Repassou o projeto ao Corinthians, aproveitando a campanha anti-Morumbi de Antônio Roque Citadini.
O desejo do presidente do Conselho de Orientação corintiano é compreensível. Citadini quer a presidência do clube e por ser competente, enxerga mais longe que os atuais mandatários, preocupados com parcerias macabras e processos criminais.
Ele sabe que para tentar superar o São Paulo, seu maior rival, vai precisar de um bom estádio.
O interesse da Federação é que não compreendo.
Qualquer estudo simplório mostrará que assumir os custos Pacaembu sai mais em conta.
O estádio dá prejuízo ao Município. É fácil fazer o acordo. Basta respeitar o tombamento e os moradores da região que usam as instalações.
Lembro que a Federação Paulista enriqueceu na gestão de Eduardo José Farah, presidente entre 1988 e 2002, mesmo período em que os clubes empobreceram.
Del Nero foi figura importante na administração Farah, pois presidiu o Tribunal de Justiça da entidade enquanto o ex-presidente deu as cartas.
Também acho estranho tanto anseio de cooperar com o Corinthians.
Se essa fossa a intenção, o time estaria no projeto desde o início.
Além disso, teria sido bem mais construtivo interferir no acerto da parceria com a MSI, maior responsável pela complicadíssima situação corintiana.
Por isso mais uma vez pergunto. Qual a razão de trabalhar contra o Morumbi?
Precisa ter pelo menos uma!
Ainda bem que todos cartolas são honestos na federação, pois caso contrário, eu desconfiaria que mais do que a desesperada vontade de presentear o país com um novo palco para o futebol, a cartolagem quer ter acesso ao dinheiro do contribuinte que seria utilizado na construção.
Ora, se levantar o novo estádio é bom negócio, que a Federação o faça independentemente de sua utilização no mundial.
A Copa do Mundo só pode facilitar um aspecto.
O acesso à verba pública, pois se trata de um compromisso que envolve a imagem do país do futebol.
Eu sou contra a Copa do Mundo no Brasil, mas como ela acontecerá aqui, as opções mais baratas são as minhas.
Reformar o Morumbi custa menos que levantar outro estádio.
Se mostrarem o contrário, mudo de lado.
Além disso, a direção do São Paulo garante que não usará dinheiro do contribuinte na reforma, o que faz toda a diferença.
Segunda, 10 de setembro de 2007, 15h16 Bob Fernandes e Claudio Leal
Redação Terra
O presidente afastado do Corinthians, Alberto Dualib Como este é um novo capítulo, o recomeço é pelo fim.
O que se tem nas linhas abaixo é parte, outra parte, da investigação promovida conjuntamente, em períodos e formas distintas, pelos ministérios públicos federal e de São Paulo e pela Polícia Federal. Alvo: a simbiose Corinthians/MSI e o patrono da jogada, o bilionário Boris Berezovski, mais conhecido como "o mafioso russo".
No final da semana da Pátria, Terra Magazine e o colunista Juca Kfouri, da Folha de S.Paulo, publicaram reportagem com trechos do relatório final do trabalho da PF, que está em grande porção ancorado em interceptações telefônicas feitas com autorização judicial.
A seguir, um resumo de temas e personagens. Vale a ressalva: o material é uma transcrição do relatório da PF, já de conhecimento de pelo menos um advogado.
Limpa esse dinheiro aí
Em 16 de maio de 2007, às 20 horas, 37 minutos e oito segundos, Alberto Dualib, hoje afastado da presidência do Corinthians, conversa com seu braço direito informal, Renato Duprat Filho, e um certo Franal.
Dualib, de saída, acusa um advogado de trabalhar com suborno de magistrados. Em seguida, ao tratar da remessa de recursos de Berezovski para o Brasil, diz:
- Dinheiro não pode mandar mais aí como lavagem... tem que limpar isso aí.
Dois meses antes, em 29 de março, às 13 horas e 56 segundos, dialogam Duprat e Fischer (funcionário da MSI). Transcreve a PF:
- Renato pergunta para Fischer quanto entrou no Corinthians até hoje e Fischer fala que foi uns 55 milhões. Fischer fala que todo o dinheiro que entrou foi para o Corinthians e que deve ter ficado uns 2 ou 3 com eles.
Dinheiro para fiscais
Na página 7 do relatório da PF, um diálogo sem data nem horário.
Está descrito:
- Alberto (Dualib) diz ter feito um acerto com o pessoal do imposto de renda, mas que quem vai levar o dinheiro é Marcos. Alberto diz que a única coisa que Marcos está fazendo é levar o dinheiro para "aqueles fiscais", mas segue dizendo que isto eles (Alberto Dualib e Nesi Curi, então vice-presidente do Corinthians) mandaram ele fazer.
Prossegue o relatório:
- (...) Comentam que Kia sabia que, se ficasse no Brasil, seria preso. Também falam que, se Boris voltar para o Brasil, Kia não vem mais.
"Manda matar"
Sempre lembrando: uma conversa telefônica transcrita pode ter um impacto e uma dimensão exacerbados numa mera transcrição.
Dito isso, segue o relato da PF, ainda na página 7 e sequência do mesmo diálogo:
- Nesi diz que tem que ameaçar o pai do jogador (NR: não identificado) e que tem que arranjar "uma negrada em Itaquera" para matar Martinez.
(NR: Há um Martinez no Corinthians - o diretor de Futsal do clube. Procurado pela reportagem, ele disse que foi um mal entendido, e que a referência no diálogo seria a um suposto empresário, de mesmo nome, Martinez, que "alicia jogadores da base corintiana").
Proposta ao russo
Ainda página 7, diálogo sem data e sem horário, transcrito assim no relatório da PF:
- Renato mostra fortes contatos com russos interessados em jogadores brasileiros. Nesse diálogo Renato recebe proposta para levar a Boris sobre aquisição de 8 estações de televisão de filiais da TV Globo.
Nas conversas, sempre, muita desfaçatez. O que se pretende, ao longo de uma das negociações, é que o governo brasileiro conceda asilo político a Boris Berezovski.
Asilo a Boris
Neste diálogo entre Rubão (Rubens Gomes da Silva) e Duprat, no dia 28 de maio, às 17 horas, 54 minutos e 40 segundos, é citado "Vicente". Vem a ser Vicente Cândido. Deputado estadual do PT em São Paulo, em conversas com pelo menos um jornalista defendia a concessão do asilo para o russo Berezovski e dizia falar em nome de José Dirceu.
Transcreve a PF:
- Rubão pede a Renato que converse com Vicente para arranjar alguma coisa (emprego) para ele no governo. Renato diz que pediu, mas a pessoa certa é o Gilberto.
Rubão pergunta como está o negócio da documentação em Londres e Renato diz que, momentaneamente, "eles" deram uma escanteada discreta no Vicente. Rubão pergunta por que e Renato (Duprat) diz que ainda tem que descobrir. Renato diz que é briga da turma "deles". Renato diz que quem manda é o Gilberto (assessor de Lula), que é o chefe dele (Renato) e que abre tudo para ele.
Cara a cara
Prossegue o relatório:
- Renato diz que Gilberto está indo com Lula para Londres só para encontrar com "ele" (Renato). (...) Rubão pergunta, já que o presidente (Lula) está indo para lá, por que Renato não coloca Boris cara a cara com ele, e Renato diz que não, pois este é um jogo forte demais e ele precisa tomar cuidado.
A propósito deste trecho acima. Lula esteve em Londres, mas não houve encontro algum com Berezovski. Da mesma forma, em encontro com dirigentes do Corinthians no Palácio do Planalto não prosperou a proposta para que o presidente telefonasse para o russo.
Em entrevista a Juca Kfouri, na semana passada, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência da República acima citado nas transcrições, disse:
- A pedido da direção do Corinthians, nos limitamos a ver se era possível conseguir a extensão do asilo político dele na Inglaterra para o Brasil e não sabíamos sobre o russo o que sabemos hoje. Agora temos tratado de extradição com a Rússia e é impensável tê-lo aqui. Além do mais, vi Duprat apenas na audiência com o presidente e jamais falei com ele sobre qualquer assunto depois disso.
Concessão do asilo
Contudo, o promotor do Gaeco José Reinaldo Guimarães Carneiro (leia aqui) afirmou a Terra Magazine no domingo, 9:
- (...) me preocupavam as manobras que percebia para concessão do asilo a Berezovski. O governo me respondeu dizendo que havia um diploma legal que autorizaria o governo a conceder asilo ao russo.
Afirmou ainda:
- No ano passado, eu mesmo, nós do Gaeco, recebemos uma comunicação de uma autoridade, de que agora não me recordo quem, mas tenho o documento, informando que o Boris seria beneficiário de um tratado entre vários países e que levaria o Brasil a aceitar seu status de asilado por ser signatário desse mesmo tratado.
Um certo Frank
De volta à planície e ao relatório da PF.
Dia 6 de dezembro de 2006, às 21h, sem especificar na caixa postal de quem, a mensagem deixada por um certo Frank:
- Diz que precisa de US$ 110.000 (cento e dez mil dólares) para pagamentos de autoridades e comenta que nunca teve um problema desses na empresa antes.
Ainda em 6 de dezembro de 2006, diálogo entre Marcos Motta e Fischer, às 17h21. Está no relatório da PF:
- Marcos Motta (advogado da MSI) e Fischer falam sobre uma transferência de valor que será depositada pelo Milan numa conta do Corinthians, o mesmo irá ocorrer com um depósito do Betis. Estão tentando fazer com que os clubes no exterior depositem na conta do MSI para o Corinthians não receber.
Carta de Boris
Em 17 de abril de 2007, às 11 horas, 46 minutos e 37 segundos, conversam Dualib e Rubão. Se faltavam provas da presença de Berezovski à frente do negócio, tudo se esclarece. Está dito no relatório:
- Rubão diz que tem uma cópia da carta de Boris admitindo um investimento de 50 milhões de dólares no Corinthians...
"Um bandido maior"
Diálogo seminal às 11 horas, 57 minutos e 54 segundos no dia 26 de abril deste 2007, entre Dualib e Rubão. Soa como um testemunho, quiçá um epitáfio:
- Alberto diz que não entende que parceria é esta, em que o Kia arruma investidores que não são parceiros do Boris. Alberto diz que na hora que ele compra um jogador igual ao Carlitos, ele (Kia) engana todo mundo, paga 22 milhões e 600, e ele fica com 65% do jogador. Alberto diz que isso não dá, que ele é um pilantra, e que é um bandido maior que o outro.
A memória do caso
Depois destes novos capítulos, uma ligeira memória do caso.
Em 2005, alertado pelo olor da parceria MSI/Corinthians, o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), de São Paulo, pediu à Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) dados sobre Berezovski.
Eis, em parte, o resultado, que consta de relatório assinado pelo promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro:
-Tais dados constam de minucioso relatório produzido pela Agência Brasileira de Informações - ABIN (fls. 11/16). Também se vê daquele documento a ligação de Boris Berezovski com sucessivos governos da antiga União Soviética e, posteriormente, da Rússia, fato que lhe propiciou a aquisição de empresas estatais a preços abaixo do valor real de mercado e, também, a acusação de ter representado "papel no desenvolvimento da 'jihad' islâmica ao financiar as ações de grupos ligados a Bin Laden na Tchetchênia em 1999"...
Informou ainda a ABIN ao Gaeco:
-(...) assim, apontado como "banqueiro informal" dos movimentos tchetchenos, local que, nos dois anos seguintes, "se tornaria um centro para a ação de criminosos", tendo sua capital, Grozny, listada como importante ponto para o "tráfico internacional de heroína".
Ator de negócios
A partir do relato da ABIN deslancha a apuração do Gaeco. Em três meses, o resultado: trata-se de um mafioso de alta periculosidade. E é ele, apontava então o Gaeco em 2005, o verdadeiro gestor da MSI.
Kia Joorabichian, o iraniano, é apenas um representante de Boris e seus parceiros, tais como Badri Patarkatsishvili. Kia, na brilhante definição de um jornalista russo, é um "ator de negócios".
Entraram em cena, na seqüência, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. A investigação avançou e, neste 2007, o MP federal fez sua denúncia.
Em julho último a Justiça Federal aceitou denúncia. Kia e Berezovski tiveram prisão decretada. Dualib e Duprat se tornaram réus, acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Ruídos entre a PF e o MP
Resta um ruído neste circuito, entre setores da PF e do MP federal.
Na PF há quem entenda ter sido precoce o oferecimento da denúncia. E que a pressa teria espantado caça ainda maior.
Não é o que pensam integrantes do MP.
Entendem eles que toda investigação tem um tempo para começar e para acabar. E que é decisivo não errar a mão nesse tempo.
Personagem destacado nesse enredo, Alberto Dualib está afastado da presidência do Corinthians e o clube decretou o fim da parceria. A novela, no entanto, não chegou ao fim. Longe disso.
Segunda, 10 de setembro de 2007, 08h10 Cláudio Leal
Romeu Tuma Jr., autor da representação que deu início às investigações sobre a parceria Corinthians/MSI O novo secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., que toma posse hoje em Brasília, deve participar de um ramo das investigações que, cada qual na sua seara, Polícia Federal e ministérios público federal e estadual fazem sobre a parceria Corinthians/MSI.
"É também de nossa competência", diz Tuma Jr., que mobilizará o departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional para investigar denúncias de lavagem de dinheiro e vínculos com organizações internacionais.
No sábado, 8, Terra Magazine e o colunista da Folha de S. Paulo e blogueiro Juca Kfouri publicaram trechos de uma investigação e relatório da Polícia Federal com conversas telefônicas de dirigentes do Corinthians.
Tuma acredita ainda que as gestões de cartolas e políticos para a extensão do asilo político do mafioso russo Boris Berezovski não tiveram efeito no governo:
- Quando chega ao Palácio (do Planalto), a coisa não anda, muita coisa não aconteceu, não teve o visto para o Brasil... Venderam fumaça.
Segundo o promotor do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) José Reinaldo Guimarães Carneiro, apesar de ter tido acesso a um relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sobre as conexões criminosas de Berezovski, o governo brasileiro se preparava para conceder asilo político.
Delegado classe especial da Polícia Civil e ex-chefe da Interpol em São Paulo, Tuma integra o conselho do Corinthians, onde denunciou, ainda em 2004, a possibilidade de o clube ser usado para lavagem de dinheiro de uma máfia internacional.
Então, depois da assinatura do contrato, Tuma representou ao Ministério Público, que iniciou as investigações:
- Se fosse comigo, eu corria (da MSI)... eu tinha muito documento.
A seguir a íntegra da entrevista.
Terra Magazine - As revelações da Polícia Federal causaram surpresa ao senhor? Romeu Tuma Jr. - Tenho uma experiência de muitos anos no combate ao crime organizado. São 28 anos de carreira, investiguei várias organizações. Não tenho muita surpresa porque sei das relações mafiosas intestinas de grupos nacionais e internacionais. Para quem investigou organizações desse porte, não há surpresa. Algumas pessoas se sentem chocadas pelo grau de envolvimento de algumas pessoas que hoje dizem ser da oposição, mas tiveram ampla participação nisso tudo. Agora, como cidadão e corintiano, é claro que devo ficar chocado.
Quando o senhor fala em "pessoas da oposição", a quem se refere? No conselho do Corinthians, eu era tachado de oposição. Portanto, tem muita gente com memória curta. Quando o Corinthians foi assinar o contrato (com a MSI), alguns oposicionistas de hoje foram favoráveis. A memória do povo é curta. Diziam não ter interesse político...
Qual foi sua participação nas investigações do promotor José Reinaldo Guimarães? Toda essa investigação começou porque representei ao Ministério Público para investigar essa organização criminosa. No conselho do clube, falei que, se o contrato fosse assinado, eu iria representar ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, para que tudo fosse apurado, tudo aquilo fosse investigado. Mais adiante, no Ministério Público Federal (MPF). Culminou nessa denúncia por conta de minha representação em 2004. O Corinthians assinou o contrato em dezembro de 2004 e, em janeiro de 2005, eu representei. Concluíram que era lavagem do dinheiro, mas de competência da Justiça federal ¿ e aí veio o MPF junto com a Polícia Federal.
Como foi feito o acompanhamento de Boris Berezovski no Brasil? Quando eu soube que ele estava aqui, nós denunciamos. Ele foi monitorado, detido para prestar depoimento no MPF. Eu tive a oportunidade de ir à Rússia, de conversar com agentes da Interpol, e trocamos muitas informações sobre ele.
Quando? Em 2005, 2006. Boris já era internacionalmente conhecido...
Por que o governo brasileiro aceitou gestões para conceder asilo político a Boris, apesar de informações fornecidas pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência)? Tem muita coisa aí que é supervalorização. Muita coisa que se fala no telefone que a gente percebe que o cara está enrolando, está vendendo fumaça. Quando chega ao Palácio (do Planalto), a coisa não anda, muita coisa não aconteceu, não teve o visto para o Brasil... Venderam fumaça.
Havia brecha para extensão do asilo político? A Interpol não interfere em questões político-ideológicas. Quando a Interpol tem mandado prisão, é sinal de que há uma conduta criminosa. Ela não interfere em questões políticas de racismo, nem de perseguição política. Ela só se mete quando é, de fato, um criminoso internacional.
O senhor chegou a assinar, junto com o promotor José Reinaldo, o texto "E se fosse Osama?"... (leia aqui) Fiz vários artigos sobre isso.
Apesar de tantos avisos, por que o governo ouviu tantas gestões em favor de Boris? Não sei, é difícil analisar, as pessoas têm seu tempo pra maturar. Prefiro, nessa altura do campeonato... Os próprios dirigentes do conselho embarcaram. Houve gente com boa-fé, mas apontei alguns por má-fé, antes de assinar o contrato. Falei que era golpe e lavagem de dinheiro.
Era o presidente Alberto Dualib? É, o Dualib. Achava que eu estava fazendo política. Mas ele tinha algum interesse que não era ortodoxo. Apresentei documentos. Se fosse comigo, eu corria (da MSI), do jeito que eu tinha documento.
Na Secretaria Nacional de Justiça, o senhor vai contribuir com as investigações? Sem dúvida. É competência do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional, que é o órgão da minha secretaria que combate lavagem de dinheiro e organizações criminosas internacionais. É nossa competência. Sem paixões clubísticas, mas com questões técnicas. Terra Magazine
Se o MSI tivesse investido no Palmeiras, "daria tudo certo". A avaliação é do empresário Renato Duprat, homem-chave da parceria entre o grupo representado pelo iraniano Kia Joorabchian e o Corinthians.
Hoje, ele acha que a crise e os problemas com a Justiça - ele é acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro - que enfrenta são frutos de dois conflitos: "Primeiro, o Dualib brigou com o Kia. E, depois, o Dualib entrou em crise política com o pessoal dele no clube", disse Duprat, no domingo, ao Blog do Boleiro.
Duprat leu a reportagem PF expõe vísceras do Corinthians/MSI, publicada no sábado por Terra Magazine e pelo colunista Juca Kfouri, da Folha de S. Paulo. Ele abriu a conversa com o aviso: "Meu advogado pediu para não falar sobre o que está no processo, porque ele corre em sigilo".
Algumas perguntas não foram respondidas: 1) Onde e como ele conheceu Kia Joorabchian?, 2) Quanto ganhou por intermediar a parceria MSI/Corinthians e 3) O que pretende fazer no futuro?
Por outro lado, Renato Duprat deu sua versão para algumas conversas gravadas pela Polícia Federal e que estão transcritas no dossiê da "Operação Perestroika".
Boris é ou não é investidor da MSI no Corinthians? "O Boris nunca disse ou demonstrou que tinha dinheiro no Corinthians. Ele, desde o primeiro dia em que falamos da parceria, disse que não queria entrar, que não entendia de futebol. O único interesse que ele demonstrou foi o de construir um estádio."
Você o acompanhou no Brasil. Esteve com Dualib na reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir que o governo conversasse com Boris sobre investimentos. Você tinha interesse na entrada dele no Brasil? "O Boris queria investir aqui, mas em biodiesel, álcool e no setor de aviação. Eu estive com ele com o vice-presidente da Varig, com o presidente e vice da Petrobras, estive com ele na Embraer. E, sim, fui na reunião no Palácio do Planalto. Mas, veja bem, na visita do Boris, quem acertou os encontros foi o deputado estadual Vicente Cândido (PT-SP). Eu fiquei junto apenas."
Mais uma vez, o interesse nestes movimentos de Boris Berezovski era o de intermediar negócios e ganhar comissão. Quando ainda tentavam fechar a parceria com o MSI, Duprat, Alberto Dualib e até a neta do dirigente, Carla Dualib, conheceram o empresário georgiano Badri Patarkatsishvili.
O trio, mais o homem de negócios que foi sondado para investir no Corinthians, chegou a caminhar por uma rua de Tbilisi (capital da Geórgia, república do Cáucaso) acompanhado de seguranças. Dois deles carregavam bazucas portáteis.
Badri Patarkatsishvilli é investidor da MSI? "Estivemos com ele uma vez só em Tbilisi. Ele nos foi indicado pelo Boris como um amigo que poderia se interessar em investir na parceria. Mas não sei se ele fez isso ou não."
Até aqui, Duprat segue as orientações dos advogados que o defendem das acusações do Ministério Público Federal, junto com o presidente licenciado do Corinthians, Alberto Dualib. A afirmação de que não sabe se Boris e Badra são investidores do MSI foi dita na oitiva (depoimento) dada pelos dois indiciados na PF.
Duprat não nega a conversa gravada com Dualib, mas não lembra o teor que está no dossiê. Aliás, Duprat diz que retornou à cena da parceria em agosto do ano passado, depois que Kia e Dualib brigaram.
Qual foi exatamente o seu papel no último ano? "O Dr. Alberto me chamou e pediu a ajuda porque o Corinthians ficou sem dinheiro, sem nada, a pé. Como fui eu que intermediei o negócio, trouxe o Kia, me senti na responsabilidade de ajudar e ir atrás de novos parceiros. Quando consegui, no dia seguinte, o Dualib pediu licença da presidência."
Quais eram os novos parceiros? "Não posso dizer."
E com quem você falou da MSI em Londres? "Sempre e só falei com o Kia e os advogados do MSI."
Ao ler as transcrições das conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, Duprat viu dados que podem ajudá-lo e se livrar de críticas feitas por vice-presidentes do Corinthians. Uma delas é a de que teria contratado o técnico Émerson Leão a peso de ouro.
Os números do dossiê estão corretos? "Estão. Foram R$ 3 milhões de luvas e R$ 500 mil de salários. Mas veja que quem fez o acerto foi o (Paulo) Angioni, funcionário do MSI. Do salário, o Corinthians pagaria apenas R$ 100 mil. Não fui eu que coloquei o Leão lá. Ele é até meu amigo."
E as promessas de reforços que não se concretizaram? "O Robinho foi mais uma sondagem. Ele estava na reserva do Real Madrid, desgostoso com o técnico Fábio Capello. Mas ele preferiu ficar. Já o Cícero, ele estava na mesma negociação que fizemos com o Figueirense para trazer o volante Carlos Alberto. Mas ele pediu muito. O Borges, realmente conversamos com o empresário dele e chegamos a mandar o doutor Heraldo Panhoca (advogado do Corinthians) para o Rio. Não deu certo."
O Blog do Boleiro apurou, também, que o ex-dono do Unicor e ex-patrocinador do Santos disse, em seu depoimento, que é apenas "um médico, empresário que intermediou a parceria MSI/Corinthians. E que ele conheceu Kia em Londres".
PARCERIA NÃO ACABOU E MSI TEM DIREITO À VENDA DE CARLOS ALBERTO
Aos amigos, entre eles empresários de jogadores, Duprat tem dito que a "parceria ainda não foi desfeita pelo Corinthians". Lembra que, por isso, o MSI tem direito a 20% dos R$ 18 milhões que o Corinthians faturou ao vender o atacante William para o Shakthar, da Ucrânia.
Dualib e Duprat - nos bastidores - garantem que as vendas de William, Marcelo Matos e Carlos Alberto foram todas articuladas pelo presidente licenciado. Segundo cálculos da dupla, o clube faturou cerca de R$ 60 milhões, mas o anúncio dessas transações foi feito depois da licença de Dualib. "Aquilo é briga política. O Dualib perdeu poder e o dinheiro entrou", teria dito Duprat a um interlocutor.
Na conversa com o Blog do Boleiro, Renato Duprat não quis confirmar estas informações, mas respondeu duas outras perguntas.
Qual o seu papel nos últimos tempos em que os vices do Corinthians o acusavam de mandar mais do que o próprio Dualib? "Meu 'goal' (objetivo, em inglês) era fixar bem a parceria. Veja bem. Depois que a parceria foi aprovada pelo Conselho Deliberativo do Corinthians - com votos de deputados, desembargadores, gente de nível - eu saí de cena. Só voltei em agosto do ano passado porque não quis deixar o Dr. Dualib com o pincel na mão. Saí para procurar novos parceiros."
E as promessas seguidas de envio de dinheiro que estão nas conversas telefônicas? "Elas me foram garantidas pelo Kia. Aliás, o Dr. Dualib tem tudo documentado e vai mostrar na hora certa. Mais do que isso, não posso falar."
Duprat encerrou a conversa. Alegou outra vez sigilo de Justiça. Ele pareceu estar tranqüilo com relação às conversas telefônicas que foram publicadas. Achou que, na maioria das vezes, seu papel era do homem que estava tentando conseguir dinheiro para o clube paulista.
Oposição corintiana pressiona para impeachment de Dualib
Marcius Azevedo Em São Paulo
A oposição corintiana não quer esperar o prazo de 60 dias para conseguir o impeachment do presidente Alberto Dualib e do vice Nesi Curi.
O advogado Rubens Approbato Machado, que também é conselheiro do clube, afirmou nesta segunda-feira que não existe qualquer possibilidade de Dualib se defender das acusações sobre sua administração.
"Está tudo perfeitamente comprovado. É público. Não depende de mais nada. O momento exige uma resposta imediata", afirmou Approbato.
Approbato disse ainda que já manifestou sua vontade ao presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Senger, e ao presidente do Cori, Antonio Roque Citadini, e agora espera uma atitude.
A princípio, Dualib e Nesi teriam até o dia 30 de setembro para apresentar defesa sobre denúncias de facilitação à lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e administração temerária, mas, pelo que disse Approbato, isto não irá acontecer.
"É o momento de convocarmos o conselho para votar o afastamento definitivo, não tem mais o que esperar. Precisamos tirar o Corinthians no noticiário policial o mais rápido possível", disse o conselheiro.
Approbato, aliás, quer o afastamento de todos os dirigentes que ainda tenham ligação com Dualib, entre eles Clodomil Orsi, presidente em exercício, e Wilson Bento.
O conselheiro também afirmou que o departamento jurídico do Corinthians já tem todos os documentos necessários para entrar oficialmente com o pedido de rescisão da parceria com a MSI, algo que já foi decidido pelo conselho.
"Também não temos mais o que esperar para expulsá-los do Corinthians. Esta parceria não trouxe beneficio algum", finalizou.
A Justiça comum tem com o que se preocupar com a MSI e o Corinthians. Mas a Justiça esportiva não pode calar
COMO MISÉRIA pouca é bobagem mesmo, por incômodo e delicado que seja o tema, uma pergunta se impõe: como fica o título brasileiro do Corinthians, já parceiro da MSI, em 2005? Esqueça de Edílson Pereira de Carvalho, dos jogos anulados pelo STJD, do erro de Márcio Rezende de Freitas no jogo contra o Inter. Fixe-se apenas num aspecto: um time que usa dinheiro sujo para fazer contratações não age de maneira desleal com seus adversários? Se a resposta for a que parece óbvia -sim, age - alguma punição precisa haver. Perda do título, rebaixamento, alguma coisa precisa ser feita, desafio que está posto à Justiça esportiva, agora presidida pelo ex-presidente da OAB e ex-vice-presidente do Corinthians, voz, diga-se, sempre contrária à parceria com a MSI, Rubens Approbato Machado. Porque se a resposta for não, dada a inexistência de provas sobre manipulação de resultados das partidas que envolvem o campeão, passamos a aceitar, cabalmente, que um clube pode usar, por exemplo, dinheiro do narcotráfico para se reforçar. E que não cometerá nenhuma deslealdade esportiva por assim agir, o que é um absurdo. Porque mais uma vez a impunidade dará o ar de sua desgraça. Por impune, o radialista cearense Flávio Moreira, um dos pivôs do escândalo da Máfia da Loteria, denunciada 25 anos atrás, está de volta ao cenário no demolidor relatório da Polícia Federal.
Dirigentes corintianos agora estão ameaçados de prisão
SÃO PAULO - Esta semana será decisiva para os ministérios públicos federal e estadual, e também para Brasília, tomarem medidas duras contra os dirigentes corintianos Alberto Dualib e Nesi Curi. Assim como contra os demais envolvidos nas gravações e escutas que a Polícia Federal fez nos últimos 14 meses sobre a parceria do clube paulista com a MSI, em que revela uma série de condutas ilegais, traidoras e criminosas.
O MP Federal tem provas suficientes para caracterizar no negócio de quase três anos crimes por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A MSI sempre foi comandada no Brasil pelo iraniano Kia Joorabchian sob as ordens e dólares do magnata russo Boris Berezovski, acusado na Rússia de cometer fraudes contra o governo e enriquecimento ilícito.
O procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira pode pedir hoje a prisão preventiva dos dirigentes do Corinthians e envolvidos na "Operação Perestroika", produzida pela Polícia Federal. Nela há diálogos comprometedores, como o de Renato Duprat, sem cargo na parceria, mas homem de confiança do Dualib, com um interlocutor por telefone em que diz "eles (Boris e Cia.) vão comprar mais quatro clubes no Brasil para lavar dinheiro".
O Ministério Público Federal já fez o pedido de seqüestro de bens de Alberto Dualib e Nesi Curi, sem sucesso, mas passou a bola ao Ministério Público Estadual. Nesse caso, os cartolas são acusados de estelionato e formação de quadrilha, com prejuízo ao patrimônio do Corinthians.
O promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Gaeco e que contribui com as investigações do Deic sobre a compra de notas frias no clube, está interessado particularmente nos trechos da gravação de Dualib. Na ânsia de defender a neta Carla Dualib contra acusações de Nesi Curi, Alberto Dualib diz, no dia 23 de outubro, a Renato Duprat "que ele (Nesi) não pode fazer o que está fazendo, chamando minha neta de ladra, porque tirei notas, de 14 anos para cá, para livrar a cara do Nesi da investigação, e se não tivesse feito isso ele estaria enrolado..."
Por conta disso, José Reinaldo Guimarães Carneiro vai requisitar as fitas. "Dualib deixou a entender que acobertava Nesi. Fez isso durante 14 anos. Esse é um fato que vamos atrás", avisou o promotor, nem tão surpreso assim com o que foi vazado pela PF. "Em 2005, o Gaeco já falava que o clube era vítima de dirigentes inescrupulosos. E que o Boris Berezovski estava à frente da parceria, e que o Kia Joorabchian era apenas um despachante de luxo do Boris", disse.
Em Brasília, na quinta-feira, a presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, Lídice da Mata (PSB), irá se reunir em audiência com seus pares a fim de pedir à comissão providências imediatas sobre a parceria Corinthians/MSI e os problemas do futebol brasileiro.
"Acho que uma CPI demoraria muito e o caso requer imediatismo em suas providências", disse ontem a deputada Lídice da Mata. "Fiquei de checar se já há na Casa algum pedido de CPI sobre o assunto, mas já estamos com a CPI do Apagão Aéreo. Para instaurar outra teríamos de ter o apoio de um terço dos 517 deputados e isso levaria tempo. O que podemos fazer é formar uma Comissão de Fiscalização e Controle, que teria todo o poder de investigação de uma CPI."
Dualib sabia quem era Berezovski", diz Romeu Tuma Júnior
SÃO PAULO - O novo secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, uma das vozes altas no Parque São Jorge contrárias ao acerto do Corinthians com a MSI, pediu cadeia aos envolvidos com o crime organizado e lavagem de dinheiro no clube, entre eles o presidente afastado Alberto Dualib e todos os seus seguidores.
"Fui chefe da Interpol (polícia internacional) e estou nisso há 28 anos. Portanto, nada é surpresa pra mim. Em outros casos investigados, as pessoas não são avisadas com quem estão se envolvendo. Mas o Dualib foi. Ele sabia quem era Boris Berezovski", disse Romeu Tuma Júnior, que deverá tomar posse hoje no cargo.
"Há um prejuízo ao patrimônio do clube e quem tiver responsabilidade nisso deve mesmo ir para a cadeia." Romeu Tuma Júnior fez questão de ressaltar que não é hora de prejulgar ninguém, pois sabe que pode ter gente inocente sendo exposta. Mas foi bem claro ao afirmar que Dualib sabia o que estava ocorrendo. "É claro que ele sabia de tudo, e também do que estava fazendo com o Corinthians", comentou.
O líder da oposição no Corinthians, Andrés Sanchez, tratou ontem de se defender dos trechos da gravação da "Operação Perestroika" em que teve o nome citado num possível conchavo com Dualib e Nesi Curi sobre o depoimento dos três na Polícia Federal.
Dualib diz: "Ele está sabendo o que falar na Federal". Na seqüência, em conversa com Dualib, fala Andrés Sanchez: "Vou falar o que vocês (Dualib e Nesi) falarem."
O líder da oposição corintiana admite ter tido a conversa com Dualib sobre o depoimento, mas nega que teria combinado de repetir suas declarações. "Disse a ele que falaria tudo o que sabia. Fui eu quem falou, por exemplo, que a mulher do Boris esteve no clube. Ninguém sabia. Estive com eles em Londres, mas, após ver algumas coisas erradas, decide me afastar", explicou Andrés Sanchez, que chegou a ser vice-presidente de futebol do clube na gestão Corinthians/MSI.
O Corinthians usou ao menos uma nota fiscal de empresa de informática para pagar o gerente de futebol amador, Evanir Jesus de Moraes, o Vando. Ele havia sido demitido, mas continuou a trabalhar até ser recontratado. Há indícios de que a nota da Infortática Leste é fria. A empresa não funciona no local indicado. E, na nota, é apontada a conta corrente de Vando como sendo a de um dos sócios, mas ela está registrada em nome de outras pessoas. Por serviços prestados, ele recebeu R$ 20.600, no dia 30 de março.
Outro lado. Vando não respondeu aos recados deixados em sua caixa postal. Ainda antes de se afastar do clube, o vice Nesi Curi, que assinou a nota, disse que ele continuou prestando consultoria após ser demitido porque há pouca gente boa na área. E que não há irregularidade no fato.
Sobrecarregado. A amigos, Alberto Dualib diz que a responsabilidade do presidente do Corinthians é cuidar do "macro". Não pode ser culpado por tudo, como a emissão de notas frias, suspeita investigada pelo Deic.
Faz de conta. Informalmente, o presidente afastado do Corinthians diz que se todos os cartolas fossem grampeados como ele, o futebol acabaria. Mas assegura que os dirigentes falam muitas coisas que não acontecem.
Veraneio. O Banco Indusval, do conselheiro corintiano Manoel Cintra, penhorou metade de imóvel de Dualib no Guarujá. Cobra R$ 1,7 milhões de firma do cartola.
Sola de sapato. À Justiça federal, Renato Duprat, intermediário de MSI e Corinthians, disse ganhar a vida como médico. Sem consultório, vai à casa dos clientes. E recebe, em média, R$ 7 mil.
Para o presidente afastado do Corinthians, Alberto Dualib, e para o vice Nesi Curi, também fora do clube, o magnata russo Boris Berezovski é uma "pessoa boa". Essa é a definição de José Luiz Toloza Costa, advogado da dupla no processo da Justiça Federal em que ambos são réus por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. "Eles sempre acharam que o Boris Berezovski fosse uma pessoa boa, e ainda acham que é", falou Toloza, após ser questionado sobre o lobby feito por seus clientes junto ao governo federal para tentar trazer o russo ao país como exilado. Ontem, a Folha e o "Terra Magazine" revelaram detalhes da operação Perestroika, da Polícia Federal, que fez interceptações telefônicas dos envolvidos na parceria Corinthians/MSI. Relatório de 72 páginas da PF sobre os grampos revela que Berezovski foi o maior financiador do negócio, mostra Kia Joorabchian como "laranja" do russo e ainda negociações de atletas com a parceria para receber dinheiro fora do país; mostra também a tentativa de trazer Berezovski ao Brasil usando até a influência do presidente da República. Em depoimento à Justiça, Dualib afirmou que Tevez, Mascherano e Carlos Alberto ganhavam parte do salário no exterior. O meia Ricardinho, flagrado nos grampos negociando US$ 1,1 milhão, disse que não recebeu nada fora do Brasil. E se colocou à disposição das autoridades para esclarecer o caso. Carlos Alberto também negou ter recebido provimentos fora do país durante a passagem pelo clube. Agora os grampos serão objeto de discussão na Câmara: alguns dirigentes corintianos, eles entre Dualib, falarão à Comissão de Esporte da casa, na quinta-feira, quando temas como lavagem de dinheiro no futebol serão discutidos. Requerimento sobre o assunto foi feito pelo deputado Silvio Torres (PSDB-SP). "Eu tenho a sensação de que essa questão de lavagem de dinheiro é mais ampla que o Corinthians", afirmou Torres, que acha "prematuro" falar em CPI. Segundo o advogado Toloza Costa, "se porventura passasse pela cabeça deles [de Dualib e Curi] que o dinheiro [que abasteceu a parceria] fosse ilícito o acordo não teria sido feito". "Como uma pessoa dessa [Berezovski], que tem cidadania inglesa, já foi recebido pelo ex-primeiro-ministro [Tony Blair], vive perto do castelo da rainha, pode ser estelionatário?", disse Costa. "Aliás, nem sabemos se ele é", falou o advogado, ressaltando que a parceria apenas foi aprovada porque teve o consentimento do Conselho Deliberativo e do Cori (Conselho de Orientação). Costa afirmou ainda que a acusação de formação de quadrilha é insustentável. "Eles [Dualib e Curi] não tinham identidade de propósitos, sempre discordavam do Kia [presidente da MSI]". O hoje líder oposicionista do Corinthians, Andrés Sanches, que aparece nos grampos supostamente combinando ocultar a participação de Berezovski na parceria, disse ter falado a verdade. "Não combinei nada. Apenas perguntei ao seu Alberto [Dualib] se ele queria que eu esclarecesse alguma coisa", disse Sanches ao "Globoesporte.com". Ele negou que soubesse que o russo era investidor do negócio.
Investigación de la policía brasileña descubre negocios ilícitos del club Corinthians
Domingo 9 de Septiembre de 2007 16:58 DPA SAO PAULO.- Una investigación de la Policía Federal de Brasil reveló los supuestos negocios ilícitos de la sociedad conformada entre el club brasileño Corinthians y el fondo inversor MSI, según informó hoy el diario "Folha de Sao Paulo".
Escuchas telefónicas realizadas por la policía con autorización judicial revelan que el magnate ruso Boris Berezovski, acusado en su país de diversos crímenes, era el principal financiador de la sociedad, lo cual el representante de MSI en Brasil, el iraní Kia Joorabchian, negaba.
El informe de 72 páginas, que resume investigaciones realizadas durante 14 meses, revela además que Joorabchian actuaba como "testaferro" de Berezovski, que algunos jugadores del Corinthians negociaron con la sociedad para poder recibir dinero fuera del país, y que fueron hechas gestiones a nivel de la Presidencia de la República para conseguir asilo para Berezovski en Brasil.
Los detalles del operativo policial denominado "Perestroika", muestran que algunos empresarios del Corinthians negociaron incluso el pago de un soborno de unos 150.000 reales (75.000 dólares) a un fiscal de la Recaudadora Federal para que no multara al club.De acuerdo con el informe policial, la maniobra comenzó en 2004 cuando se celebró una reunión en la que el empresario Renato Duprat presentó mutuamente a Joorabchian y el ex presidente del club, Alberto Dualib.
A partir de ese momento se inició un operativo que introdujo en Brasil "miles de dólares" para el Corinthians por medio de cinco empresas situadas en paraísos fiscales.El acuerdo por diez años preveía inversiones de cerca de 35 millones de dólares y el pago de deudas por un valor de 60 millones de reales (30 millones de dólares).
En abril de 2005, año en el que el Corinthians se armó con un equipo millonario y se alzó con el título del Campeonato Brasileño, el Ministerio Público de Sao Paulo (Fiscalía) concluyó que el magnate ruso era el principal inversor de MSI y consideró la posibilidad de que los recursos provinieran de maniobras de lavado de dinero.
Paralelamente, las relaciones entre Joorabchian y Dualib se deterioraron, al parecer por desacuerdos financieros. En abril de 2006, alegando problemas personales, el empresario iraní partió rumbo a Londres y nunca más regresó a Brasil.
En julio de este año la Fiscalía brasileña decretó la prisión de Joorabchian y Berezovski, que se encontraban fuera de Brasil, acusándolos de lavado de dinero y asociación para delinquir junto a Dualib y Duprat, a quienes no se les ordenó la prisión porque residen en Brasil.Dualib fue alejado de su cargo de presidente del club, junto a su vice, Nesi Curi, y el Corinthians dio por terminada la sociedad con MSI.
Al mismo tiempo, las escuchas telefónicas revelaron los acuerdos entre MSI y los mediocampistas Ricardinho -quien actualmente actúa en el Besiktas de Turquía-, y Carlos Alberto -quien defiende al Werder Bremen de Alemania-, para que éstos recibieran parte de sus honorarios fuera del país, conducta que se encuadra en crímenes como evasión de riquezas y fiscal.
Los resultados de la investigación policial, que corroboran denuncias hechas previamente por las fiscalías provincial y fereral de Brasil contra todos los acusados, indican asismismo que el grupo inversor MSI comandó las negociaciones referentes a la contratación del técnico Emerson Leao, algo que siempre fue negado por los dirigentes del club.
Domingo, 9 de setembro de 2007, 17h36 Bob Fernandes
Redação Terra
Terra Magazine falou há instantes com o procurador José Reinaldo Guimarães Carneiro. Em abril de 2005, ele e colegas do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado, espécie de tropa de elite do Ministério Público) elaboraram um relatório que concluía pela certeza da presença do criminoso russo Boris Berezovski no comando da parceria Corinthians/MSI - o que sempre foi oficialmente negado pelos dirigentes do clube.
Agora, o procurador avança e diz, de maneira contundente, que o governo brasileiro se preparava para conceder asilo a Berezovski, apesar de a Abin, órgão de assessoramento da Presidência, ter informações sobre as conexões criminosas do russo pelo menos desde 2005.
- A Abin é vinculada à Presidência e é impossível alguém do governo dizer agora que não sabia quem era Boris Berezovski. Todo mundo sabia.
Leia a seguir a íntegra da entrevista:
O senhor e o Ministério Público Estadual de São Paulo investigaram a MSI já há anos...
Desde o início, quando os dirigentes do Corinthians diziam que Boris Berezovski nada tinha a ver com a parceria e com a MSI, e que eles desconheciam isso. O Gaeco os desmascarou. Numa investigação de três meses, mostramos que o senhor Boris Berezovski era parte principal da parceria.
Quando isso?
Em abril de 2005 concluímos o nosso trabalho, que foi mandado para o Ministério Público Federal, e que deu nisso tudo agora. Comprovamos, então, fortes indícios.
Quais eram esses indícios?
Primeiro mostramos que as offshore ligavam Boris Berezovski com a MSI e o Corinthians, assim como ao Badri Patarkatsishvili. Para tanto contamos, inclusive, com um erro deles.
Que erro foi esse?
Um dinheiro que chegou ao Brasil, para o Corinthians, vindo de Tbilisi, capital da Georgia, em nome de Zaza Toidze. Eles cometeram esse erro. Uma prova cabal da ligação entre Boris, Badri, MSI e a parceria com o Corinthians.
E qual o outro forte indício?
A viagem à Europa do presidente do Corinthians, Alberto Dualib, sua neta Carla e os vice-presidentes Nesi Curi e Andrés Sanches - hoje na oposição. Eles foram lá para fechar a parceria, ainda que neguem.
O evento social foi uma pista?
Claro, veja o roteiro. Foram recebidos, em Londres, na residência de Boris Berezovski, e depois voaram, num jato providenciado pelo próprio Berezovski, para Tblisi, na Geórgia. Lá, foram recebidos pelo próprio Badri. Todas as relações mostravam e mostram que a MSI era gerenciada por um fundo internacional comandado por um mafioso russo, Boris Berezovski, procurado e já condenado na Rússia por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre outros crimes.
Isso tudo foi dito no relatório do Gaeco há mais de dois anos?
Há mais de dois anos eles todos estavam desmascarados. De lá para cá o Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigaram, e nós do Gaeco tentávamos impedir que o Boris entrasse no Brasil com status de asilado.
Como era esse trabalho?
A cada notícia de que ele viria para o Brasil nós íamos atrás. Havia um óbvio trabalho para que ele conseguisse o asilo.
E quase conseguiu
Com quem ele quase conseguiu?
Essa concessão seria dada pelo governo brasileiro. Neste instante não me recordo bem se foi através do Ministéro da Justiça, do Ministério das Relações Exteriores ou de outra autoridade, mas o governo chegou a se manifestar a respeito.
Como, quando e para quem?
No ano passado, eu mesmo, nós do Gaeco, recebemos uma comunicação dessa autoridade, de que agora não me recordo - mas tenho o documento -, informando que o Boris seria beneficiário de um tratado entre vários países e que levaria o Brasil a aceitar seu status de asilado por ser signatário desse mesmo tratado. Eu é quem fiz o ofício para o governo porque me preocupavam as manobras que percebia para a concessão do asilo a Berezovski. O governo me respondeu dizendo que havia um diploma legal que autorizaria o governo a conceder asilo ao russo.
Qual foi a reação de vocês?
Nesse momento, a indignação foi tão grande que produzimos um texto que rodou a internet. Eu assinei, o delegado Romeu Tuma Jr. também, e que se chamava "E se fosse Osama?" (leia aqui). Boris está ao aldo do Bin Laden na difusão vermelha da Interpol, ou seja, os criminossos mais difíceis de serem capturados.
Ora, só por que o Brasil assinou um tratado, qualquer criminoso pode entrar e permanecer aqui?
Bem, as suas palavras dirigem perguntas e até mesmo conclusões para bem além do Corinthians... Não há como ninguém alegar que desconhecia quem eram esses senhores a partir do nosso relatório de 2005, inclusive por uma razão muito simples, contundente e perigosa.
Que razão seria essa?
O nosso trabalho em 2005 começa exatamente com informações que recebemos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência, um órgão de assessoria da Presidência da República). Interagimos com a Abin e isso foi fundamental no início da investigação. Não se sabia então que Boris Berezvski queria investir no Brasil.
Que outras providências os senhores tomaram?
No começo deste 2007, enviei um ofício para o próprio diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, informando que havia uma movimentação de autoridades brasileiras, sem dizer quais eram, que arquitetavam o asilo para o Boris no Brasil. Mandei para ele inclusive perguntando se não havia crime de favorecimento pessoal. Ou seja, alguém intervia para proteger um criminoso. E eu sei que Paulo Lacerda determinou que a Polícia Federal investigasse, tanto que chegamos onde chegamos, inclusive neste aspecto. O fato concreto é que só estou tomando inteireza e conhecimento desse relatório agora, por intermédio de vocês.
Domingo, 9 de setembro de 2007, 13h58 Bob Fernandes e Cláudio Leal
Marcelo Pereira/Redação Terra
Os diálogos entre os dirigentes do Corinthians, capturados pela Operação Perestroika da Polícia Federal, já fornecem elementos para uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), segundo a presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, Lídice da Mata (PSB):
-(...) É estarrecedor... pela dimensão, pelo nível das denúncias, é necessário uma CPI - opinou a deputada, depois de ler a reportagem publicada por Terra Magazine.
A reportagem é a mesma produzida e publicada pelo colunista e blogueiro Juca Kfouri, da Folha de S.Paulo e do UOL, uma vez que este Editor-Chefe de Terra Magazine e o jornalista corintiano tiveram acesso exclusivo e trabalharam conjuntamente no material do relatório.
A comissão de esportes da Câmara tem uma audiência marcada para a próxima quinta-feira, 13, quando deverá analisar a parceria Corinthians/MSI, a pedido do deputado Sílvio Torres (PSDB).
Com as novas denúncias de lavagem de dinheiro e sonegação, entre outros crimes, expostas em relatório de 72 páginas da PF e publicadas por Terra Magazine, a audiência mudou de rumo, informa a deputada: deverão ser convocados dirigentes do Corinthians e representantes da Polícia Federal.
Os convites para os depoentes devem sair até terça-feira e, neste final de semana, a deputada Lídice da Mata, ex-prefeita de Salvador, apura junto ao Congresso Nacional se já existe de um pedido de CPI do Corinthians/MSI. Veja a íntegra da entrevista.
Terra Magazine - O que a senhora achou do conteúdo das conversas dos dirigentes do Corinthians? Lídice da Mata - Fiquei em choque. É estarrecedor. Não é uma novela, como está dito, é um filme americano. Na condição de torcedora, admiradora do espetáculo, fiquei em choque. É como se o sonho do futebol, o último estágio do imaginário do brasileiro, estivesse tão corrompido que não valesse mais a pena admirar nossos ídolos. Ver Leão envolvido nessa história... Ele foi um ídolo de minha geração!
Qual será a reação da Comissão de Esportes da Câmara? Teremos uma reunião no próximo dia 13, quinta-feira, provocada pelo Sílvio Torres (PSDB), para tratar desse assunto. Existia uma desconfiança, uma conversa de bastidores sobre problemas graves na estrutura do Corinthians. Ele trouxe essa proposta e nós concordamos que pudesse haver essa audiência. Eu não esperava que fosse tão avassalador, envolvesse tantos segmentos da política e do esporte. A minha esperança é que uma parte do amor, do mito, da garra do futebol não se perca numa relação deturpada.
Diante do que foi publicado, que é apenas uma parte da história, quais são as outras medidas que a Câmara deve tomar? A partir dessa audiência, podemos propor uma CPI. Até estou ligando para a Comissão, para saber se já existe um pedido de CPI. Vou ter essa resposta e acho que, pela dimensão, pelo nível das denúncias, é necessário uma CPI.
Há, então, elementos para a criação de uma CPI? Sim, não podemos deixar que o futebol brasileiro seja estuário de um processo de corrupção, de lavagem de dinheiro, da marginalidade e do crime. Já vemos denúncias contra o carnaval do Rio, de envolvimento das escolas de samba com o jogo do bicho. Isso abala a alma do brasileiro.
A senhora pretende convocar os investigados pela Polícia Federal para depor? Todos que nós pudermos, dirigentes do Corinthians e representantes da Polícia Federal. Os convites a essas pessoas saem, formalmente, até terça-feira.
Chegou aos deputados alguma informação sobre a investigação da PF? Como disse, houve o requerimento de Silvio Torres, com base em notícias da imprensa, na verdade a notícia de um blog, mas sem confirmação, insinuando que estaria para acontecer um escândalo. Mas não sabíamos de nada. Impressionante o que chegou à Presidência da República. Eu, por exemplo, amo o Esporte Clube Bahia. Seria natural, se fosse presidente da República, receber dirigentes do Bahia. Mas vemos que por trás (da visita de dirigentes do Corinthians ao presidente Lula), havia mais do que o amor. Eles queriam o envolvimento do Planalto, houve uma tentativa de envolver o presidente, que não tem nada com isso. Terra Magazine
Corinthians Domingo, 9 de setembro de 2007, 12h33 Promotor investigará supostas notas frias no Corinthians
Rogério Lorenzoni/Terra
O promotor José Reinaldo Carneiro, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), disse neste domingo que o Ministério Público Estadual pedirá informações à Polícia Federal sobre as escutas realizadas no Corinthians para investigar um possível crime estadual. Neste sábado, o editor-chefe de Terra Magazine, Bob Fernandes, publicou material colhido em interceptações telefônicas feitas com autorização judicial, na qual o presidente licenciado do clube, Alberto Dualib, teria dito ao empresário Renato Duprat que escondeu notas frias durante os últimos 14 anos.
"O Ministério Público Estadual ainda não recebeu os áudios nem os laudos, mas vamos receber certamente porque há crimes estaduais a serem investigados", afirmou o promotor em entrevista à rádio Jovem Pan. "Tem um tópico da reportagem que mostra um diálogo entre Dualib e Duprat em que o presidente diz que protegeu um amigo guardando 14 anos de notas fiscais. Isto é um crime estadual", completou.
No diálogo citado por Carneiro, Dualib diz, segundo o relatório da Polícia Federal, que "tirou notas, de 14 anos para cá, para poder livrar a cara do Nesi (Curi, vice-presidente do clube) da investigação e se não tivesse feito isso ele estaria enrolado juntamente com o Mello (Carlos Roberto Mello, ex-vice-presidente de finanças do Corinthians)".
O promotor ainda esclareceu que, no momento, existem duas investigações relacionadas ao Corinthians. No âmbito estadual, o clube é investigado por suposto uso de notas frias. Esta operação, inclusive, foi a que na última semana apreendeu computadores no Parque São Jorge.
Já a Polícia Federal é responsável pelo processo que busca irregularidades na parceria MSI-Corinthians, na chamada Operação Perestroika, cujo relatório foi publicado pelos jornalista Bob Fernandes.
Carneiro salientou que esta última investigação teve início no Gaeco, mas como apontava crimes fora do âmbito estadual, foi repassada para o Ministério Público Federal em abril de 2005. "Os áudios só vieram a confirmar aquilo que já tínhamos descoberto na primeira investigação", disse.
Relatório da PF expõe suborno e mentiras da MSI/Corinthians
08/09 - 22:28 - Gazeta Esportiva
O relatório da Polícia Federal na investigação sobre a parceria entre o Corinthians e a MSI detonou novas bombas no clube de Parque São Jorge. O jornal “Folha de S. Paulo” publica trechos do documento, de 72 páginas, neste domingo, com o material coletado por escutas telefônicas autorizadas pela Justiça na Operação Perestroika, nome dado à ação.
A PF concluiu que o russo Boris Berezovsky é mesmo o principal investidor da MSI, versão constantemente negada por Kia Joorabchian, sócio do fundo de investimento, e Alberto Dualib, presidente licenciado do Timão. As escutas também trazem fatos curiosos, como o atual líder de uma chapa oposicionista na política corintiana, Andrés Sanchez, combinando com Dualib e seu vice, Nesi Curi, o que dizer em depoimentos.
Entre outros problemas, há a comprovação de uma tentativa de suborno de R$ 150 mil a um fiscal da Receita Federal para não autuar o Corinthians. Há até tentativa de suborno na documentação.
Os jogadores Ricardinho e Carlos Alberto também estão envolvidos na polêmica, pois planejavam receber parte de seus salários fora do País para fugir dos impostos. Eles podem até ser denunciados pelo crime de evasão de divisas, caso seja confirmada a operação, negada pelos atletas.
Renato Duprat também é figura central das ligações e novos detalhes confirmam que a cúpula corintiana tentou negociar com o presidente Lula uma autorização para que Berezovsky pudesse comprar a Varig e investir em Biodiesel no Brasil, formas mais eficazes para lavar dinheiro no Brasil do que o Corinthians.
Em 2006, Kia também aparece planejando acabar com o contrato com o Corinthians e promete investir no Flamengo, time que até hoje somente herdou o goleiro Bruno da MSI.
Recentemente, Dualib e Nesi Curi prestaram novos depoimentos à Justiça Federal e pouco ajudaram os promotores. Os dois e Renato Duprat foram denunciados pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha (pena de um a três anos de prisão). Boris Berezovski e Kia Joorabchian tiveram a prisão decretada no Brasil e, portanto, não podem mais entrar no País.
Ex-vice diz que só jantou com Berezovski Andres Sanches, hoje oposição, é citado nas escutas combinando depoimento com Dualib Marcel Rizzo Marcel Rizzo Do GLOBOESPORTE.COM,
Agência Kia Joorabchian era o tradutor nas negociações, diz Andres Sanches
Andres Sanches foi vice-presidente de futebol do Corinthians no auge da parceria com o MSI, em 2005. Por isso foi convocado para depor na Polícia Federal, que investiga irregularidades no acordo. Nas escutas, com autorização judicial, que a PF obteve na Operação Perestroika, Sanches aparece em diálogos combinando depoimento com o presidente afastado Alberto Dualib. Neles diz que falaria o mesmo que Dualib e o vice, também afastado agora, Nesi Curi. Sanches nega o acerto.
- Não combinei nada. Apenas perguntei ao seu Alberto (Dualib) se ele queria que eu esclarecesse alguma coisa, que falasse algo a mais. Por isso perguntei o que ele tinha falado. Mas se você pegar os depoimentos são totalmente diferentes. Eu falei a verdade e tudo o que eu sabia - explica Sanches, em contato telefônico com o GLOBOESPORTE.COM.
Hoje, Andrés Sanches faz oposição a Dualib. E é um dos mais cotados para concorrer a vaga da presidência, caso o presidente renuncie ou seja afastado definitivamente. Ele nega que tivesse conhecimento de que Boris Berezovski, russo condenado por diversos crimes em seu país, fosse o principal investidor da parceria, como revelado nas escutas publicadas pelo jornal “Folha de S. Paulo”.
- Eu sempre perguntava se o Boris era investidor e sempre me diziam que não. Eu fui a Londres (ING) apenas uma vez. Fomos jantar na casa do Boris, mas foi a única vez que eu o vi. E tinha muita gente lá. O Kia (Joorabchian) era o tradutor nessas reuniões, então ele quem negociava - explica o conselheiro corintiano. Berezovski vive em Londres como asilado político. Kia Joorabchian é o presidente do MSI e ficou ligado a Sanches no racha com Dualib.
O candidato a comandar o Corinthians diz desconhecer também o fato de alguns jogadores, como apontam as escutas, receberem dinheiro fora do Brasil, para não pagarem impostos. Os meias Ricardinho e Carlos Alberto são citados. O primeiro nega, o segundo não quis falar a respeito.
- Até me pegou de surpresa isso. Sei que o Tevez recebia US$ 100 mil na carteira, o resto de direito de imagem. Sei que o Carlos Alberto tinha imagem. Mas sempre soube que eles recebiam o dinheiro no Brasil - afirma Sanches.
Nas escutas, Dualib diz ao empresário Renato Duprat, seu braço-direito nas negociações com o MSI, que temia o que Sanches fosse falar no depoimento. E dá a entender que Sanches sabia que Boris fosse um dos investidores.
Dualib, Duprat e Curi foram denunciados pela Justiça Federal pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Relatório da PF revela detalhes da parceria Corinthians-MSI
Há diálogos estarrecedores entre Dualib, Kia, Andrés Sanchez, e até de gente do governo federal
Robson Morelli - Jornal da Tarde
Um relatório de 72 páginas da Policia Federal, produzido ao longo dos últimos 12 meses com investigações e escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, revela com rigor de detalhes o submundo da parceria Corinthians/MSI. Nele, há diálogos estarrecedores de seus principais personagens, como o presidente corintiano Alberto Dualib, Kia Joorabchian, homem forte da MSI no Brasil, o líder da oposição no clube, Andrés Sanchez, e até de gente do governo tentando facilitar a entrada no Brasil do condenado magnata russo Boris Berezovski.
A Polícia Federal batizou o trabalho de ‘Operação Perestroika’. Os jornalistas Bob Fernandes, de 'Terra Magazine', e Juca Kfouri, colunista da 'Folha de S. Paulo', foram os primeiros a ter acesso ao documento.
Também não escapou dos grampos da PF acertos de jogadores, como do meia Ricardinho, hoje no Besiktas, da Turquia, com Kia de quantias pagas em contas fora do País, uma conduta de evasão de riquezas e sonegação fiscal. O trabalho da PF só corrobora a série de denúncias feitas pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual aos dirigentes corintianos, em especial Alberto Dualib e seu vice Nesi Curi, assim como os investidores da MSI.
Num dos diálogos grampeados e revelados por Terra Magazine, Kia e Ricardinho acertam comissão no valor de US$ 1,144 milhão (R$ 2.173,6 milhões - cotação de hoje): "...conforme combinaram, o dinheiro vai ser pago hoje, mas acho que só vai ser creditado amanhã, pois está pagando fora do País". Ricardinho pergunta se será avisado do crédito e Kia o manda procurar Alexandre Verri, advogado da MSI.
Da Turquia, neste sábado, o meia negou tudo ao Jornal da Tarde: "Mais uma vez gostaria de esclarecer que não recebi nenhum centavo da minha negociação com o Corinthians em bancos fora do País. Todos meus vencimentos foram depositados em bancos do Brasil e como não poderia ser diferente, paguei os impostos relativos a essas operações. Reafirmo que estou à disposição das autoridades para esclarecimentos."
A PF relatou ainda que a MSI esteve à frente da contratação do técnico Emerson Leão, fato sempre negado por seus dirigentes, e que pagaria somente R$ 400 mil de salário mensal a ele. A escuta foi gravada dia 14 de agosto de 2006, às 12h16, da então noiva de Kia, a advogada Tatiana Alonso, com quem ele se casou na sexta-feira.
Dualib e Paulo Angioni, da MSI, dizem a Tatiana minutos depois que o clube se comprometeria a bancar os outros R$ 100 mil, totalizando R$ 500 mil que Leão queria ganhar no Parque. O técnico ainda pediria R$ 3 milhões de luvas na contratação e o mesmo valor após um ano, além de R$ 1 milhão se levasse o time à Libertadores - dinheiro que o clube foi emprestar na Federação Paulista de Futebol.
As escutas da PF também revelam crise conjugal, com veladas ameaças, entre o meia Carlos Alberto, hoje no Werder Bremen, da Alemanha, e sua ex-mulher, Gisele.
Ela deixa mensagem no celular do jogador no dia 5 de setembro, às 11h10, dizendo que "vai abrir a boca sobre o depósito do salário que é feito metade aqui (no Brasil) e metade na Suíça". Gisele diz ter como comprovar todos esses depósitos.
Em Londres, Renato Duprat, sem cargo na parceria e no clube, mas de confiança de Dualib, convence o presidente corintiano de que falta pouco para o governo legalizar a entrada no País de Berezovski - e com ele os US$ 2 bilhões (R$ 3,8 bilhões) que prometeu investir no Corinthians e no Brasil de Lula.
Kia diz à noiva que Boris acha "Leão um idiota" e o clube "uma bagunça política". Tatiana pede a Kia que abandone o Corinthians logo.
Dualib reclama dos custos de sua estadia em Londres, gravação do dia 25 de setembro. Diz que a conta iria ser de "100 paus" e "100 paus no cartão" o imposto de renda pega.
O líder da oposição Andrés Sanchez teve seu nome citado no relatório da PF, em conversa de Dualib e Duprat dia 8 de outubro, às 17h52. "... ele (Andrés) está sabendo o que falar na (Polícia) Federal, porque, depois da nota da MSI que desmente a participação de Boris na parceria, ninguém mais pode falar em Boris, o Boris acabou". Sanchez, segundo o relatório, procura Dualib para saber o que ele e Nesi iriam falar na PF para que ele falasse igual. "Vou falar o que vocês falarem." Sanchez não foi localizado por sua assessoria para ser ouvido pela Agência Estado, que também deixou recado em seu celular.
Duprat, de Londres, diz repetidas vezes a Dualib que o dinheiro vai chegar ao clube. Nunca chega. A turma entra em parafuso ao descobrir que Verri, o advogado da MSI, deu com a língua nos dentes. "Parece que Verri entregou tudo", diz Duprat a um interlocutor.
O presidente do Conselho de Orientação do Corinthians, Antônio Roque Citadini, disse conhecer o trabalho da PF e lamentou pelo Corinthians. "Estabelece uma situação deprimente do clube."
O advogado de Kia Joorabchian, Roberto Podval, aconselhou seu cliente a não sair da Inglaterra na lua-de-mel. Agiu assim porque a Interpol pediu dados do iraniano à Justiça Federal para a difusão do pedido de prisão dele. Se isso ocorrer, o presidente da MSI, que se casou ontem no religioso e tem cidadania britânica, passa à condição de procurado internacional. E se deixar o Reino Unido, a menos que vá para o Irã, pode ter a sua extradição pedida pelo Brasil. A Interpol fez o mesmo em relação ao russo Boris Berezovski.
Palácio. Há mais de um ano morando em Londres, Kia ainda paga aluguel de um apartamento no Itaim, bairro nobre de São Paulo. São R$ 10 mil mensais. Mais R$ 8.500 de taxa de condomínio.
Perdulário. Em interrogatório na Justiça Federal, Alberto Dualib, presidente afastado do Corinthians, pintou Kia como alguém que pagava salários exorbitantes, envolvia-se em assuntos do futebol e ia ao vestiário reclamar.